População do ABC enfrenta falta de remédio nas unidades de saúde

Não bastasse a pandemia que se arrasta há mais de um ano, no ABC a população ainda sofre com a falta de medicamentos de uso contínuo para outras doenças. A escassez vai desde os mais comuns, como ácido acetilsalicílico, até remédios para quem sofre de hipertensão arterial, diabetes e depressão. O problema ocorre nas farmácias das prefeituras e até na de medicamentos de alto custo do governo do Estado.

Das sete cidades, apenas São Bernardo e São Caetano informaram que não registram falta de remédios nas farmácias. A situação mais grave é em Mauá, onde 37,5% da lista de 176 medicamentos fornecidos pelo município está em falta, desde os mais simples, como o ácido acetilsalicílico, até os indicados para controle da pressão arterial.

Em nota, Mauá informa que, em janeiro, a nova gestão se deparou com a falta de atas vigentes de medicamentos e insumos. “A administração investe esforços para dar andamento aos processos licitatórios, para abastecer a rede de saúde. Os processos de compras em órgãos públicos são regidos pelas leis 8.666/93 e 10.520/2002, cujos trâmites são burocráticos e lentos. De uma lista com 176 medicamentos faltam 37,50%. Do total, 18,75% são de uso contínuo, como ácido acetilsalicílico 100 mg; amitriptlina, cloridrato 25 mg; fluoxetina, cloridrato 20 mg; furosemida 40 mg; levotiroxina sódica; propanolol, cloridrato 40 m;, espironolactona 25 mg e hidroclorotiazida 25 mg. A Secretaria de Saúde tem atendimento telefônico, desta forma, sempre que o paciente solicita informações sobre a disponibilidade do item ele é avisado”, diz a nota.

Em Diadema, a falta é de neuroléptico, vitamina D, vitamina B1, antidiabético, diurético simples, antitérmico, antianêmico, antidiabético e diurético simples, sendo os dois últimos de uso contínuo. “Notificamos a empresa fornecedora em caso de atraso na entrega, entramos em contato com os fabricantes existentes no mercado para verificar se realmente a informação de falta de insumo procede e orientamos os pacientes a retirar no Programa da Farmácia Popular, aqueles itens cuja retirada no programa é feita de forma gratuita”, sustenta a administração em nota.

Ribeirão Pires também relata a falta de medicamentos de uso contínuo, como xarelto 20ml, para tratamento de trombose, e o leuprolerina, usado por pacientes com endometriose. “Vamos notificar os fornecedores que não têm fornecido os medicamentos, para que uma solução seja tomada. Em último caso, se a falta de medicamentos prosseguir, poderá ser realizada a interrupção do contrato e aberto um novo processo licitatório com uma nova empresa, que poderá fornecer e atender a demanda necessária”, diz a Prefeitura.

Estado

As farmácias de alto custo do governo do Estado, que no ABC funcionam no Mário Covas e Poupatempo de São Bernardo, fornecem mais de 200 tipos de medicamentos. A reportagem indagou a Secretaria Estadual de Saúde sobre a lista de medicamentos faltantes, mas o órgão não informou. Apenas respondeu sobre os medicamentos Asparte e Basaglar, tipos de insulina usados para pacientes com diabetes. “Os medicamentos Asparte e Basaglar fazem parte da lista de medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde, responsável pelo planejamento, compra e compartilhamento com os estados que, por sua vez, apenas redistribui para as farmácias, à medida que os lotes chegam. O Asparte foi enviado pelo órgão com a validade próxima do vencimento. As farmácias estão sendo contatadas para verificar a demanda e a possibilidade de consumo com segurança para os pacientes. O Estado aguarda também a aquisição do Basaglar pelo governo federal, que ainda não foi concluída e, assim, impactou a distribuição e assistência aos pacientes das Farmácias de Medicamentos Especializados”, respondeu.

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