Quem não se comunica, se trumbica…e perde uma eleição ganha! por Aldo Cursino*

Já alertava o Velho Guerreiro, o Chacrinha, há mais de 30 anos, em sua plena sabedoria e sob o reconhecimento em ser um dos mais importantes comunicadores da mídia nacional de todos os tempos, que a “comunicação” é uma das mais importantes ferramentas para a sobrevivência humana.

Os animais se comunicam! Seja para alertar seu bando sobre o perigo, para conquistar seu par, para delimitar seu espaço ou afugentar seus oponentes.

O ser humano por sua vez, foi bastante além. Desenvolveu a fala, a escrita, os números, enfim, diversas são as formas criadas para nossa necessidade em sermos entendidos.

Hoje a internet nos colocou a um clique de falar com quase toda parte do mundo. As facilidades estão aí e as ferramentas, disponíveis para quem quiser se comunicar, seja particularmente, seja em grupo, seja em massa.

Na TV, esse fenômeno extrapola quase o inimaginável em termos de pessoas tendo acesso à informação ao mesmo tempo. A abertura dos jogos olímpicos de Pequim, por exemplo, atingiu mais de 2 bilhões de espectadores, o que significa 1 a cada 4 pessoas do mundo. No Brasil, em 2002, já com a medição eletrônica (pois o recorde anterior pertencia a um capítulo de novela), foi constatado que 75% das residências ou estabelecimentos que possuíam TVs, estavam ligados para assistir ao jogo entre Brasil e Turquia ou sejam, mais de 3,5 milhões de aparelhos e uma imensa torcida por nossa seleção, recebendo informação da mesma fonte, ao mesmo tempo.

Com tudo isso, percebemos que um nicho, onde a informação e a facilidade em comunica-se é imprescindível, a prática se tornou uma verdadeira tortura, tanto para os detentores de cargo quanto para os postulantes: o meio político.

A necessidade em entender o anseio da população e de expressar os planos que o qualificam para exercer um cargo eletivo, na maioria das vezes é a pedra no sapato de muitos candidatos que mereceriam um oportunidade para trabalhar por seu povo, mas também é o motivo de decepção de muitos que ousam ouvir um pronunciamento em plenários dos representantes da população.

Falta de conteúdo, falas de difícil compreensão, pronunciamentos sem sequência lógica e xingamentos ou ofensas, são exemplos de discursos que desagradam a todos, principalmente àqueles que deram seu voto de confiança ao político de sua preferência. Mas a principal falha e principal motivo de decepção dos eleitores é sem dúvida a falta de posicionamento e de expressão desse posicionamento diante de temas polêmicos ou importantes para a população ou parte dela, por parte dos políticos.

O eleitor, por mais dificuldade que tenha para o acesso à informação, não é mais bobo. Ele sabe quem mentiu e principalmente, quem o traiu diante de seus anseios e de suas necessidades. A tática do “nada a declarar”, é coisa de um passado muito distante e não pode mais fazer parte das informações exaradas por um representante da população, e a omissão de posicionamento, uma perigosa armadilha, pois o voto diante das proposições, são computados e publicados e de uma forma ou de outra, chagam aos interessados…o eleitor!

Mais de 40 dias se passaram do ano em que teremos eleições municipais e quantos pré-candidatos se preparam para ocupar os cargos em nossas cidades? Quantos planejaram antecipadamente suas ações? E note, que planejar, não é conversar com a família e mais alguns amigos e incentivadores. Planejar é estabelecer metas, métodos e o objetivo, ou seja: antever os passos para o sucesso eleitoral.

Quantos desses pré-candidatos têm um discurso básico dos “porquês”, deveriam ser representantes dos cidadãos e cidadãs em seus municípios? Quantos sabem exatamente o papel do cargo ao qual postulam e principalmente, quantos sabem se posicionar diante dos desafios que os aguardam e argumentar com base política, técnica e socialmente correta e da relevância que a imensa maioria das necessidades populares impõem aos seus representantes?

A maioria dos políticos e candidatos, fazem uma confusão compreensível entre publicidade e comunicação.

Hoje, a grande maioria dos jornais, principalmente aqueles que são criados no período eleitoral, são espaços para a publicidade, onde os políticos colocam suas qualidades e benfeitorias, mas poucos são os políticos que buscam um vínculo de comunicação com a população, com sua base, informando seu entendimento e sua real posição diante das enormes dificuldades no dia a dia de nossas cidades, nossos estados, no país e até sobre assuntos mundiais.

Por outro lado, a ferramenta que deveria estar disponível para alcançar de forma mais célere e eficiente seu público, a internet e suas redes sociais, são extremamente mal utilizadas e acabam servindo apenas para publicidade ou para atendimento de pedidos pessoais.

Os políticos e os candidatos aos cargos eletivos precisam sair da “caixinha”, expandir horizontes, planejar suas ações e principalmente, serem meio de esclarecimento e informação séria e verdadeira aos seus representados, buscando assim reduzir os efeitos maléficos que a “publicidade sem conteúdo” e as falsas notícias trazem à nossa sociedade.

* Aldo Cursino dos Santos, químico e tecnólogo em gestão da qualidade, consultor, auditor em sistemas de gestão da qualidade e atuou por 20 anos na administração pública e em uma das maiores certificadoras de sistemas de qualidade mundiais

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