Ribeirão Pires realiza ação no dia nacional da luta antimanicomial

Palestras de conscientização estão sendo ministradas nos CAPS e residências terapêuticas

Dia 18 de maio é comemorado o dia nacional da luta antimanicomial. A Prefeitura de Ribeirão Pires, por meio da Secretaria de Saúde, está realizando, durante todo o dia, palestras e orientações aos usuários e pacientes dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e nas residências terapêuticas, com o objetivo de conscientizar sobre a importância desse dia.

A luta antimanicomial da cidade, que é realizada pela equipe da saúde mental da secretaria de saúde, se caracteriza pelo atendimento humanizado aos pacientes e pelo direito das pessoas que sofrem de problemas mentais. Nos debates e palestras, está em discussão o combate ao isolamento das pessoas, os preconceitos, além do fomento à reflexão.

A dirigente da saúde mental, Ana Lúcia de Amaral, destaca que “é muito importante que todos saibam que as pessoas com problemas mentais também possuem direitos. O isolamento não é a melhor solução. Então, essa conscientização passa também pela quebra de preconceitos”, disse.

Além das palestras, as pessoas recebem um chocolate com a seguinte mensagem motivacional: “A liberdade é muito mais saúde do que preconceito… Por isso, aqui, somos todos loucos, uns pelos outros”.

Ribeirão Pires possui três CAPS para atendimento gratuito à população, todos funcionam de segunda à sexta, das 8h às 17h.

CAPS AD – Álcool de Drogas (Rua Domingos Benzenuto, 12 – Centro – Telefone:4827-4509)
CAPS II – Adulto (Rua Afonso Zampol, 41 – Centro – Telefone:4824-3025)
CAPS Infantil (Avenida Fortuna, 320 – Centro – Telefone: 4828-1511 )

 Hospital Colônia de Barbacena, um campo de concentração no interior de Minas Gerais. (Clique aqui para assistir ao documentário)

Hospital Colônia de Barbacena foi um hospital psiquiátrico fundado em 12 de outubro de 1903 na cidade de Barbacena, Minas Gerais. Fazia parte de um grupo de sete instituições psiquiátricas edificadas na cidade que, segundo alguns, recebeu o epíteto de “Cidade dos Loucos”, por esse motivo. Atualmente, desses sete hospitais, só três estão em funcionamento.

Foi edificado em terras da Fazenda da Caveira, propriedade de Joaquim Silvério dos Reis, inicialmente como um hospital para tuberculosos e depois como hospital psiquiátrico. Está situado numa região com clima de montanha o que na época era considerada ideal para a cura da tuberculose e por alguns médicos, como o local ideal para o tratamento de doenças psiquiátricas. O primeiro diretor da instituição foi o Dr. Joaquim Antônio Dutra. Mais tarde a designação de Hospital Colônia de Barbacena foi alterada para Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena. Atualmente é a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) que gere o hospital. O hospital foi construído na sequência da criação da Assistência aos Alienados no estado em 1900. Junto ao hospital, com uma área aproximada de 8 mil metros quadrados, foi construído na mesma época um cemitério, designado de “Cemitério da Paz”. Seguiu-se à construção do Hospital Psiquiátrico do Juqueri (1895) e da Colônia Juliano Moreira.

O manicômio era formado por dezesseis pavilhões independentes, tendo cada um deles a sua função específica: Pavilhão “Zoroastro Passos” para mulheres indigentes; Pavilhão “Antônio Carlos” para homens indigentes; Pavilhão “Afonso Pena”; Pavilhão “Milton Campos”; Pavilhão “Rodrigues Caldas” e Pavilhão “Júlio Moura”.

Tornou-se conhecido pelo público na década de 1980, pelo tratamento desumano que oferecia aos pacientes. O psiquiatra italiano Franco Basaglia taxou a instituição como um campo de concentração nazista. Em grandes vagões de carga, conhecidos como “trem do doido”, chegavam os pacientes do Hospital Colônia, em uma época que várias linhas ferroviárias chegavam à cidade. A instituição tinha sido fundada em 1903 com capacidade para 200 leitos, mas contava com cerca de cinco mil pacientes em 1961. Para o Colônia, eram enviados “pessoas não agradáveis”, como opositores políticos, prostitutas, homossexuais, mendigos, pessoas sem documentos, entre outros grupos marginalizados na sociedade. Estima-se que cerca de 70% dos pacientes não tinham diagnóstico de qualquer tipo de doença mental. No período em que houve o maior número de mortes, entre as décadas de 1960 e 1970, o que acontecia no hospital chegou a ser chamado de “Holocausto Brasileiro”. Estima-se que pelo menos 60 mil pessoas tenham morrido no Hospital Colônia de Barbacena.

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