36% dos brasileiros dizem ter comido menos ou passado fome na pandemia

Poder 360 – Pesquisa PoderData divulgada nesta 5ª feira (1º.abr.2021) mostra que 36% dos brasileiros dizem ter passado fome ou comido menos durante a pandemia do novo coronavírus. Essa é a soma do percentual dos que dizem ter deixado de fazer refeições (7%) com o dos que passaram a comer menos do que o de costume (29%) nesse período.

O percentual de pessoas que deixou de comer, conforme o levantamento, equivale a 14,9 milhões de pessoas, considerando a população brasileira estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os que não dizem ter passado fome ou comido menos são 61% (soma dos 17% que afirmam comer mais durante a pandemia, enquanto 44% afirmaram ter “comido como sempre”). A pesquisa nacional PoderData foi realizada de 2ª a 4ª feira (29-31.mar.2021), com 3.500 pessoas, nas 27 unidades da Federação.

A partir de março de 2020, Estados e municípios começaram a adotar medidas restritivas para conter a disseminação da covid-19. Comércios, bares e restaurantes foram fechados ou tiveram seus horários de funcionamento alterados em todo o Brasil.

Dessa forma, milhões de pessoas ficaram em casa, em confinamento, principalmente nos primeiros meses de quarentena. Hospitais estavam se preparando para a demanda e instalando novos leitos. Além disso, o desemprego disparou e atingiu nível recorde, alterando a rotina de diversas famílias brasileiras.

No meio disso tudo, o auxílio emergencial foi criado para mitigar os efeitos da crise econômica causada pela pandemia da covid-19. Com o isolamento social, milhões de brasileiros ficaram sem trabalhar. Os mais pobres foram os mais atingidos.

A intenção inicial do governo era fazer 3 pagamentos de R$ 200 cada 1 –durante a tramitação no Congresso, o valor subiu para R$ 600. Com a continuidade da pandemia no país, o benefício foi prorrogado com mais duas parcelas no mesmo valor. A grande maioria desses beneficiários (77%) usou o dinheiro para comprar comida, mostrou, à época, pesquisa PoderData.

Em 3 de setembro, o governo estendeu novamente o auxílio. Com uma medida provisória, foram liberadas mais 4 parcelas de R$ 300. O valor começou a ser pago em 18 de setembro a beneficiários do Bolsa Família e em 30 de setembro aos demais.

Em novembro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que haveria prorrogação do auxílio emergencial caso ocorresse uma 2ª onda de covid-19 no Brasil. O benefício, no entanto, não foi estendido.  De acordo com a Caixa Econômica Federal, de abril de 2020 a janeiro de 2021 foram liberados R$ 294 bilhões a 68 milhões de pessoas.

A nova rodada do auxílio voltará a ser paga na 3ª feira (6.abr.2021). Eis a previsão do valor a ser pago em cada parcela, conforme o perfil do beneficiário:

  • R$ 150 – quem mora sozinho;
  • R$ 250 – famílias com mais de um integrante;
  • R$ 375 – mulheres que são as únicas provedoras de suas famílias.

A pesquisa foi feita pela divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é realizada em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Foram 3.500 entrevistas em 541 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.

Para chegar a 3.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

Destaques demográficos

O estudo destacou, também, os recortes para as respostas à pergunta sobre a percepção dos brasileiros em relação a alimentação na pandemia.

Quem se alimentou mais durante a pandemia:

  • os que têm de 25 a 44 anos (20%);
  • os que cursaram ensino fundamental (22%);
  • os que ganham de 5 a 10 salários mínimos (36%);
  • os moradores da região Centro-Oeste.

Quem passou fome ou deixou de fazer alguma refeição:

  • os que têm de 16 a 24 anos (12%);
  • os moradores da região Nordeste (25%);
  • os desempregados ou que não tem renda fixa (18%);
  • dos que cursaram o ensino superior (2%).

Alimentação x Governo Bolsonaro

30% dos entrevistados que consideram o governo do presidente como “ruim ou péssimo” estão se alimentando menos que de costume durante a pandemia. Outros 8% deixaram de fazer uma refeição ou passaram fome.

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