Em uma semana, ao menos 135 morreram aguardando vaga de UTI em São Paulo

Taxas de ocupação destes leitos estão próximas de 100%. Segundo a AMIB, menos de 10% dos municípios do Brasil tem UTI. Em São Paulo, cerca de 100 das 645 cidades não oferecem o atendimento

A superlotação dos serviços de saúde em função do aumento dos casos de COVID-19 resultou na morte de ao menos 135 pessoas que aguardavam vagas nas UTIs de São Paulo ao longo da semana passada. As taxas de ocupação destes leitos na capital paulista estão próximas de 100%.

Na cidade de Ribeirão Pires, de acordo com nota divulgada na manhã desta 2ª feira (22.mar) pela prefeitura:

“A prefeitura de Ribeirão Pires informa que, entre 19 e 21 de março, registrou mais 11 mortes de pacientes com COVID que aguardavam vagas por leitos na fila do CROSS. Na sexta-feira (19), foram registradas quatro mortes: três homens de 46, 63 e 66 anos, e uma mulher de 41 anos. No sábado (20), mais quatro pessoas morreram: dois homens 63 e 81 anos, e duas mulheres 65 e 68 anos. E ontem, domingo, outros homens de 43, 50 e 76 anos foram a óbito. Hoje, 23 pessoas aguardam vagas CROSS em Ribeirão Pires. 15 precisam de UTI”.

Segundo a reportagem do O Globo, Franco da Rocha, na Região Metropolitana da capital, foi a que mais registrou ocorrências do gênero. Ao todo, foram apontados 15 óbitos, sendo seis de pessoas com menos de 60 anos. Em todo o estado, 1,5 mil pessoas aguardam uma vaga e, de acordo com o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, 20% dos pacientes necessitam de um leito de UTI. As solicitações de transferências de pacientes com Covid-19 cresceram 117% em comparação ao início da pandemia do coronavírus.

A situação é considerada ainda mais crítica em cidades menores, que não possuem leitos de UTIs. Segundo o médico intensivista e integrante do Conselho Consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Ederlon Rezende, menos de 10% dos municípios do Brasil tem UTI. Em São Paulo, cerca de 100 das 645 cidades não oferecem este tipo de atendimento.

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