Ribeirão Pires ganha 1ª edição da Matuta – Mostra de Artes Gráficas e Literárias Independentes

De 18 a 21 de março, evento acontece em versão online e com mais de 50 artistas em mesas de conversa, oficinas, exposição de trabalhos, espetáculos e lançamento de livros independentes.

Matuta – Mostra de Artes Gráficas e Literárias Independentes de Ribeirão Pires vai reunir, entre os dias 18 e 21 de março, mais de 50 artistas entre editores, artistas gráficos, fotógrafos, escritores, poetas, designers e ilustradores da cidade, da região do ABC e Metropolitana de São Paulo e até com participações do Rio de Janeiro/RJ, Recife/PE e Palmas/TO. Em sua primeira edição, a mostra aconteceria de forma presencial no Centro de Convenções do Parque Oriental – Milton Marinho de Moraes, localizado às margens da represa Billings, mas por conta das restrições sanitárias acontecerá em uma versão virtual no Instagram e canal do Youtube (youtube/feiramatuta)

Polén Coletiva: Monique Amaral, Valentina Amaranta, Roberta Alves e Paula Lira

Criada pela Pólen Coletiva, formada por Monique Amaral, Paula Lira, Roberta Alves e Valentina Amaranta, artistas e produtoras culturais de Ribeirão Pires, a Matuta tem como objetivo reconhecer e estimular a produção e divulgação da cena local e criar uma rede de troca de experiências e vivências entre os artistas. Um dos motivos da criação da mostra, segundo a jornalista e produtora cultural Paula Lira e uma das idealizadoras da Matuta, foi a vontade de colocar Ribeirão Pires no mapa de eventos literários e de artes gráficas independentes.

“Estamos em um território considerado culturalmente como periferia e interior de São Paulo, mas é uma região fértil que concentra um número enorme de artistas e fazedores de cultura e que também pode ser reconhecida enquanto polo cultural e intelectual, para além do eixo das capitais”, destaca.

No formato virtual, as atrações da feira se dividem ao longo de quatro dias com o Fala Matuta, lives individuais com artistas convidados; a Matutando, mesas de bate-papo temáticas sobre poesia, zine, arte de rua, ilustração e fotografia que reúne artistas/expositores selecionados; espetáculo de contação de história; discotecagem com vinil em uma seleção especial a partir das artes de capas de discos; apresentação musical e oficinas de poesia com Tales Jaloretto, zine com Regi Munhoz, contação de História com Cilla Amaral, stêncil com Thiago Vaz e fotografia com Vinícius Pimenta e Pedro Ladeira. Para participar das oficinas, será necessário uma inscrição prévia via formulário a ser divulgado pelo instagram da @feiramatuta.

Uma das idealizadoras do evento, a artista e fotógrafa Monique Amaral, lembra que o nome Matuta, surgiu de uma contradição entre a palavra “matutar”, que traz o significado de discernimento e de refletir muito sobre algo, e o termo “matuto”, adjetivo muitas vezes usado de uma forma pejorativa, para falar do caipira, das pessoas de roça e do interior que não teriam conhecimento.

“O nome veio dessa contradição que pode representar bem a nossa região e a nossa provocação ao criar a Matuta, que ganhou o gênero feminino, uma forma de mostrar a força da mulher na construção de eventos culturais independentes”, aponta.

Mês da Mulher

As mulheres são o destaque da Feira Matuta. Além das quatro artistas que formam a Pólen Coletiva e são responsáveis pela criação e curadoria do evento, a abertura acontece dia 18/03 às 19h com uma convidada especial, a poetisa e editora da revista literária Cigarra (1982-2007), Jurema Barreto de Souza, uma das referências no Grande ABC de edição independente.

A programação ainda conta com o lançamento de três livros independentes assinados por mulheres: o infantil Violeta, de Cilla Amaral, em parceria com a ilustradora Nice Lopes, pela Editora Bike de Histórias; o de poemas Entre trilhos, paralelepípedos e descaminhos, de Rosângela Vieira, publicação independente, sem editora; e o infantil A floresta que ninguém via, escrito e ilustrado por Ana Monteiro.

Matuta – Mostra de Artes Gráficas e Literárias Independentes de Ribeirão Pires é um projeto contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc, realizado pela Secretaria da Cultura, Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL) da Prefeitura da Estância Turística de Ribeirão Pires com apoio do Conselho Municipal de Políticas Culturais.

Programação

18/03, quinta-feira – Abertura

  • 19h – FALA MATUTA com Jurema Barreto de Souza da revista Cigarra (via Youtube)

19/03, sexta-feira

  • 15h – MATUTANDO arte de rua com Galvani Galo e Thiago Vaz (via Youtube)
  • 17h – MATUTANDO poesia com Amanda Leite, Victor Hugo Coimbra, Enrique Edição Barata (via Youtube)
  • 18h30 – FALA MATUTA – live com expositor Central Zine (Fabi Menassi e Odé) via Instagram
  • 19h – OFICINA Zine com Regi Munhoz (via Youtube)

20/03, sábado

  • 10h – Oficina de Contação de Histórias com Cilla Amaral via Youtube
  • 11h – Live Paiting com Thiago Vaz (via Instagram)
  • 13h – MATUTANDO zine com Enrique Edição Barata, Juliana Rogge, Regi Munhoz, Daiana Terra e Central Zine (via Youtube)
  • 15h – OFICINA Stencil com Thiago Vaz (via Youtube)
  • 17h – MATUTANDO ilustra com Caioshima, Julie Dias, Vanessa Rigo, Ana Luiza Monteiro e Daiana Terra (via Youtube)
  • 19h – Lançamento de Livros (3 mulheres, 3 livros e 3 linguagens diferentes com Ana Monteiro, Cilla Amaral e Rosângela Vieira via Youtube)
  • 21h – Discotecagem no vinil com o DJ DUBEM (via Youtube)

21/03, domingo

  • 10h – OFICINA Fotografia com Vinícius Pimenta (via Youtube)
  • 13h – Contação de Histórias “Eu, Aninha, Cora Coralina” com Cilla Amaral (via Youtube)
  • 14h – FALA MATUTA com Edson Ikê (via Youtube)
  • 15h – OFICINA Poesia com Tales Jaloretto (via Youtube)
  • 16h30 – FALA MATUTA – live com expositor Tais Bueno (via Instagram )
  • 17h – MATUTANDO fotografia com Amanda Leite, Adriano Tomé, Juliana Rogge e Vinícius Pimenta (via Youtube)
  • 19h – Espetáculo com o Grupo Orbe (via Youtube)

Sobre a Pólen Coletiva

Pólen Coletiva: A partir da esquerda, Monique Amaral, Roberta Alves, Valentina Amaranta e Paula Lira

A Pólen Coletiva nasceu do caos da pandemia e no terreno fértil da mobilização de artistas que formou o Fórum Municipal de Cultura e reativou o Conselho Municipal de Políticas Culturais. Um grupo formado por quatro mulheres artistas de origens, formações, habilidades e especialidades diferentes: Monique Amaral, Paula Lira, Roberta Alves e Valentina Amaranta, que decidiram se unir para criar e semear projetos culturais, andando em brechas e abrindo caminhos para incentivar, valorizar e fortalecer a arte e a cultura de Ribeirão Pires e região. Inspiradas pela força coletiva e feminina da natureza, o nome surgiu das sementes, brotos e flores em seu processo de espalhar e multiplicar, que representa um dos maiores objetivos do coletivo.

Roberta Alves é mãe, professora de biologia e artesã. Formada em Ciências Biológicas na Fundação Santo André, foi professora de biologia por cinco anos, e atualmente é estudante de Tecnologia de Polímeros na FATEC/ Mauá. Iniciou no artesanato há 25 anos com ponto cruz e passou a conhecer diferentes técnicas como pintura em madeira, vagonite e costura criativa. Desde 2009 produz bonecas de pano e desde 2014 se dedica a aprimorar suas técnicas. Hoje é membro da Pólen Coletiva.

Valentina Amaranta é imigrante, artesã e socióloga. Formada pela Fundação Santo André, é artista ativista chilena do movimento em prol da valorização da cultura local. Seus trabalhos procuram reconhecer e valorizar a diversidade de técnicas ancestrais utilizadas pelas culturas precolombinas. Membro da Pólen Coletiva.

Monique Amaral é fotógrafa desde 2007, é formada em Dança Contemporânea pela Escola Livre de Dança de Santo André. Formou e integrou o Coletivo Apoena, com o qual atuou em projetos de dança em diálogo com outras linguagens artísticas, pesquisando videodança, dança-teatro e improvisação. Desde então, pesquisa essa relação corpo-espaço-imagem em seus trabalhos, criações e oficinas. Membro do Coletivo Apocalípticas e da Pólen Coletiva.

Paula Lira atua na área de comunicação e jornalismo desde 2009 e fotógrafa desde 2015. Pesquisa sobre regeneração, meditação, reconexão com a natureza e resgate de saberes ancestrais, além de novas narrativas. Experimenta diferentes linguagens artísticas e já passou pela Ecovias, Canal Arte 1, ONG TETO, Festival de Fotografia de Paranapiacaba, entre outros projetos. Atualmente é, também, professora de Fotografia no Senac Lapa Scipião e integrante da Pólen Coletiva.

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