Vacina cubana contra COVID deve estar disponível em julho

A vacina cubana Soberana 02 está na fase final de testes, deve estar disponível em julho e pode quebrar controle mundial da imunização contra COVID-19 por grandes farmacêuticas. O desenvolvimento de vacinas é prioridade para o governo cubano

A última fase dos testes em humanos da Soberana 02, vacina cubana contra a COVID-19, completa oito dias nesta 3ª feira (16,mar.2021). Primeiro da América Latina e do Caribe a atingir esse estágio, o imunizante deve ter a aplicação em massa iniciada em julho. A vacina, se bem sucedida, poderia quebrar o controle de vacinação da “Big Pharma”, mas o embargo contra o país prejudica sua produção, segundo Pedro Marin, no site da Revista Opera.

O país também deve começar em breve a etapa final de testes de outra fórmula, a Soberana 01, tornando-a disponível em agosto.

Em janeiro passado, o diretor-geral do Instituto Finlay de Vacinas (IFV), Vicente Vérez Bencomo, previu a produção de 100 milhões de doses da vacina este ano. Agora, ele estima que os testes clínicos de Fase III da Soberana 02 dure três meses, com voluntários também no exterior. Segundo ele, a vacina teve um desenvolvimento farmacêutico e pré-clínico, seguido de testes clínicos de Fases I e II, com resultados que mostraram uma resposta imunológica poderosa e neutralizante do novo coronavírus.

Crianças e adolescentes

O IFV considera que será possível proteger as pessoas das variantes do vírus que surgiram em diferentes países com a aplicação de duas doses da Soberana 02 mais uma da Soberana Plus, quinta vacina criada pelo Instituto Finlay.

Em abril devem ser iniciados testes em crianças e adolescentes de 5 a 18 anos, com as melhores formulações da Soberana 01 e 02. “Para demonstrar a eficácia de um candidato de vacina que forneça uma resposta imune, é necessário realizar uma alta cobertura vacinal, que inclui estudos em populações pediátricas”, diz Dagmar García Rivero, diretora de Pesquisas do Finlay.

Prioridade

O desenvolvimento de vacinas é prioridade para o governo cubano, que busca alternativas diante do cerco financeiro imposto pelo bloqueio norte-americano. O país também criou o Nasalferon, medicamento em gotas que fortalece o sistema imunológico. Em reunião do grupo de trabalho temporário instituído para acompanhar a pandemia, o governador de Havana, Reinaldo García Zapata, afirmou que o remédio continua sendo fornecido aos pacientes de Covid-19 na ilha.

Vérez Bencomo comenta que, na população cubana, existe uma percepção de confiança em relação às candidatas, sustentada pela própria história de vacinação que se desenvolveu após o triunfo da Revolução e o prestígio da ciência cubana.

Deixe uma resposta