Médica Ludhmila Hajja fala sobre suas ideia para o combate da COVID. Ela diz que país pode chegar a 600 mil mortos se não houver mudanças

Repórter ABC com informações da Globo News – Numa entrevista nesta 2ª feira (15.mar.2021 a Globo News, a cardiologista Ludhmila Hajja detalhou os motivos para ter recusado o convite do presidente Jair Bolsonaro. Ela afirmou ter divergências com o governo federal na forma de condução do enfrentamento à pandemia. Disse que o governo subestimou a gravidade da doença e que uma das consequências foi o atraso na compra de vacinas.

O Repórter ABC, diante da relevância das falas da médica Ludhmila Hajja sobre a sua postura diante o momento histórico por que passa o país ante a pandemia da COVID-19, fez recortes no vídeo que foi dividido em 7 partes, e fez também a transcrição na íntegra para facilitar o acompanhamento de nossos leitores.

Segundo Ludhmila Hajja, desde que se tornou pública a possibilidade dela ir para o Ministério, ela e a família passaram a ser ameaçadas. Ludhmila Hajja é cardiologista, é médico intensivista e professora da Faculdade de Medicina da USP.

“Eu acho que realmente não houve uma convergência técnica entre nós a minha qualificação os meus objetivos e os meus planos, eles seguem uma linha que eu acho que é distinta do Desejo do governo atual”.

Na entrevista, sem citar nome do presidente, a médica criticou a defesa que Jair Bolsonaro faz no uso de medicamentos que não tem comprovação científica para COVID.

“Nós estamos discutindo Azitromicina, ivermectina, cloroquina, é coisa do passado, a ciência já deu essa resposta. Cadê um tratamento, um protocolo de tratamento que vai dizer, olha quando se entuba, quem tem que entubar tem que ter esse predicado, se essa pessoa não está nesse hospital que essa cidade vai fazer para dar um jeito de minimizar o erro na intubação”.

Ela afirmou que não defende um lockdown nacional, mas regionalizado.

“Eu sempre defendi e continua defendendo é que num país continental como o Brasil, numa pandemia que tem seus números dinamicamente alterados a cada dia, a cada minuto o lockdown não deva ser uma medida nacional e sim regional. O que eu espero é que os governos tenham pautado essas suas decisões em dados técnicos e esses dados vão mudando. Mas hoje numa cidade, num estado que as pessoas estão morrendo nas ambulâncias, na porta dos hospitais ou mesmo dentro das suas casas, não há leitos e não há vacinas, não há outra maneira de você conter a não ser reduzindo a transmissão e a circulação das pessoas em que se pese o impacto socioeconômico dessas medidas”.

A médica firmou que o governo precisa mudar de posição em relação à doença. O substituir Ministro é trocar seis por meia dúzia.

“É um desejo meu que quem vai substituir o ministro Pazuello tenha autonomia. Imaginar se isso será possível, eu acho que depende de um alinhamento muito grande, de uma mudança de posição do governo atual em relação ao que pensa da pandemia. É um desejo, é uma esperança como brasileira acima de tudo. Eu acho que o cenário é bastante Sombrio. Eu acho que o Brasil vai chegar em 500 mil, 600 mil mortes e não só isso, mas todo o impacto que essa doença terá em doenças a longo prazo e sequelas em consequências e que não estão sendo pensadas”.

A médica afirmou que o Brasil subestimou a gravidade da pandemia.

“Quando as vacinas foram tendo seus resultados liberados a Pfizer, depois a Jassen, a Coronavac, aí outras né que já vieram Astrazeneca, o Brasil Já devia estar alinhado com os países produtores, com as instituições na tentativa de adquirir rapidamente, mas acho que o Brasil não acreditou na real necessidade e quando precisou-se o mundo já tinha comprado as vacinas. E aí, agora, a gente tem que correr atrás de um prejuízo de meses. Eu acho que o principal ponto foi este, falta de negociação internacional, foi subestimada gravidade da pandemia”.

Ludhmila Hajja disse também, que os planos dela para o ministério incluiu a criação de um gabinete de crise.

“Eu vim completamente de uma maneira despretensiosa no sentido e com muita esperança e realmente eu acreditei, acreditei que tudo pudesse mudar sonhei com cada coordenação do Ministério da Saúde sendo liderada por pessoas técnicas da mais alta qualidade, sonhei com comitê de vacinas, sonhei com a criação de um gabinete de crise 24 horas funcionando para tentar atender os governadores e os prefeitos e ajudar porque eu achei isso o ministério da saúde tem que fazer na minha visão. Mas acho que foi só um sonho. Espero que em breve ele se torne realidade”.

Ludhmila Hajja afirmou que desde que seu nome passou a ser considerado para assumir o ministério, ela e a família começaram a ser ameaçadas.

“Eu estava disposta a passar por isso, mas isso me assustou, criaram perfis falsos meus em Twitter, perfis falsos em Instagram divulgar o meu celular em redes sociais, imagina, eu sou uma médica, preciso do meu telefone para atender meus doentes. Eu recebo mais de 300 chamadas, ameaça de morte, houve uma tentativa de entrar no hotel no qual eu estou em Brasília. houve ameaças a minha família, então tudo que você imaginar de pessoas que eu sou posso considerar que elas estejam lutando para ver o Brasil dar errado, eu sofri”.

 

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