“Faltou planejamento para o combate da pandemia, não se atentaram aos alertas”, disse Volpi

O Repórter ABC conversou via aplicativo de Whatsapp na manhã desta 6ª feira (12.mar.2021) com o prefeito Clóvis Volpi a cerca das ações que serão implantadas contra a grave crise que no sistema de saúde da cidade em razão da pandemia da COVID-19.

Volpi falou na falta de planejamento por parte dos governo em esferas superiores e em desatenção aos alertas emitidos sobre a previsão do crescimento do número de casos de infectados.

“Eu tenho acompanhado atentamento os informes sobre a situação do país. Como professor aposentado e prefeito de Ribeirão Pires eu dependo muito da informação científica. Eu fico sintonizado não atualizações e nos informes e essa situação em que vivemos já estava previsto, assim como está previsto que neste mês de março de que podemos chegar a casa de  três mil mortes por dia. Isso já vem sendo falado a bom tempo. Então eu acredito que em nível superior, o Presidente, o governador, os Ministros tinham que ter acompanhado essa evolução, porque se tivessem feito isso, nós tínhamos condições de absorvido mais gente e atender os infectados. É lamentavelmente! Parece que eles vão passando um pano nisso tudo e achando que não vai acontecer e nós chegamos nesse número. Ontem (11),por exemplo, mais de 2.000 mortes e vamos chegar a 3.000 e isso redistribuído nos municípios vai chegar e vai estar em Ribeirão Pires aqui a velocidade de ocorrências é muito grande e acima de nossa capacidade de atendimento”, lamentou.

Segundo ainda o prefeito, “60 dias atrás, o hospital de campanha era conduzido com apenas 60% de ocupação e na UPA Santa Luzia havia média de atendimento de 150 pessoas por dia e atualmente são 300 pessoas em atendimento que estão preocupadíssimos, muitas vezes com sintomas muito pequeno, mas que procuram a unidade para atendimento médico.

Na administração municipal, foi determinado o fechamento de alguns departamentos onde surgiram casos de contaminação pela COVID-19, a exemplo da fiscalização, atendimento público. Infelizmente alguns comerciantes insistem em abrir seus estabelecimentos acreditando que isso vá salvar alguma coisa. Isso só agrava a situação da cidade.

“O comerciante às vezes pode sem saber estar contaminando e sendo contaminado e se ele tiver convênio, não conseguirá ser atendido. Nós temos aqui na cidade uma rede particular que está super lotada onde não há um leito de UTI, nem para que nós quiséssemos comprar um leito, não tem pra vender, a situação é gravíssima. Ou a população entende isso ou a população vai acabar sofrendo e fazendo com que nós os políticos responsáveis e que temos um sentimento de consideração pela vida soframos muito e mais do que eles”.

Sobre a situação do retorno as escolas, Clóvis Volpi disse que não haverá retorno presencial até que se atinja níveis seguros na cidade. Ele disse que cancelou o retorno das aulas na escolas municipais que estavam previstas para acontecer no próximo 5 de abril e que está em diálogo aberto com as escolas particulares para que compreendam e não abram as escolas neste momento.

“Eu já tenho caso de crianças que foram contaminadas indo para escolas. Não as públicas municipais, porque eu não abri e não vou abrir, mas já tomamos decisão junto com a secretária de Educação  decisão de que não abriríamos até o dia 5 de Abril. Nós vamos editar um decreto por prazo indeterminado porque na minha consciência, nós temos que explicar isso aos pais de que até o mês de junho eu não deverei abrir a escola municipal. A escola estadual eu não tenho controle, a particular nós estamos negociando também para que façam a coisa, não abram e não insistam em abrir, a criança está sendo contaminado”, argumentou.

Justificando a importância da compreensão de não se abrir as escolas, ele citando um caso de contaminação inesperado e específico que aconteceu com um de seus secretários.

“Nós temos aqui o secretário de administração e Finanças que pegou da filhinha dele de 1 ano e 9 meses que estava numa creche particular. Então vamos imaginar se isso  se espalhar entre as crianças e bebês? Vai ser uma catástrofe geral no país e para regiões mais conurbadas como o ABC vai ser terrível. Os pais também tem que compreender isso, passamos por um momento de sacrifício pessoal e pela vida. Se nós não tivermos esse entendimento vai ficar cada vez pior e a gente não vai conseguir sustentar o atendimento que a população merece e que precisarão”.

O prefeito também comentou a decisão do governo do estado que determinou a proibição temporária de realização de cultos religiosos coletivos e a não permissão de eventos esportivos coletivos.

“Nós aqui em Ribeirão Pires, temos templos evangélicos, temos católicos e aqui vários outros templos que estão ainda realizando os seus cultos, embora considerando toda essa precaução mas isso não tá resolvendo, porque fica difícil de sabemos o que é que cada um dos fiéis que vão aos cultos, o que é que  eles fizeram durante o dia, então nós temos que ter mais restrições. a medida é dura mas de extrema importância diante da dificuldade a qual estamos vivenciando não só aqui na cidade, mas como na região e no país”.

Como foi amplamente noticiado pela imprensa, na última 3ª feira (09.mar.2021) 2 pessoas foram a óbito em ribeirão Pires no aguardo de vaga para internação pelo CROSS (Sistema de Regulação de Vagas do Governo do Estado). Ver aqui. No dia de ontem, outra quatro pessoas que buscavam vagas de internação vieram a óbitos por falta de vagas controladas pelo governo do Estado.

“Não temos alternativas, nós vamos inserindo Cross. Hoje, é lamentável ter que dizer isso né, dois óbitos! Com certeza nós podemos salvar 2 vidas que estão na UPA. Veja a que situação que nós estamos chegando. Imagine você que tem o pai que tem a mãe na UPA, ficar torcendo para que possa existir uma vaga dentro do hospital de campanha. Nós temos inscritos no CROSS de 48, 72 horas e são 4, 5, 6 dias. Nosso o secretário do Estado disse que o sistema Cross tá atendendo 80% e que tem 20% ainda de vagas. Hoje eu não sei porque na região da grande São Paulo todos os prefeitos estão com o mesmos problemas e não conseguem vagas para internações, raramente um prefeito ou secretário de saúde de qualquer município consegue uma vaga, então essa é a situação de calamidade para nós aqui”.

“Há 10 dias nós fomos contemplados com 10 leitos de novas UTIs, mas eu confesso que para instalar esses 10 novos leitos de UTI eu levo mais 10 dias porque eu tenho que chamar a empresa para instalar o oxigênio por exemplo. A nossa solução e para o o paciente é aguardar Cross que já tem uma estrutura montada no estado. Uma ampliação dessas vagas seria nossa solução porque nós vamos ter agora e nunca  tivemos tanta morte, mas já são mais de 170 mortes em Ribeirão Pires porque atendemos também a cidade vizinha Rio Grande da Serra que tem 60 mil habitantes elá não tem um leito lá e não tem um jeito, isso é muito, muito grave. E o que é pior é que as pessoas ainda não querem entender a gravidade desse assunto. Ontem nós lacramos um bar aqui na cidade que teima em abrir as portas e botar os jovens para dentro desse bar, inclusive para fumar narguilé que vai passando de um para outro, é um absurdo.Já determinei que se casse a licença de funcionamento”.

Na conclusão de sua fala o prefeito disse que prepara uma portaria que deve ser publica ainda na tarde desta 6ª feira (12) com anexos que detalham questões a exemplo do drive thru e outros procedimentos.

“Na edição deste Decreto que deve sair hoje à tarde, nós vamos juntar um anexo explicativo o que vai fazer com que tanto fiscalização quantos proprietários de atividades que estejam envolvidas possam compreender melhor por exemplo drive-thru e como deverá ser os atendimentos durante esse período difícil ao qual passamos.

Na área educacional ou qualquer outra área que eu tiver um poder superior ao do estado, que eu possa definir eu vou ser mais rígido, porque eu sei o tamanho do problema que estamos enfrentando”.

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