População do ABC reclama de riscos da COVID-19 no transporte público por conta das aglomerações

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Nos últimos meses, diversas mudanças têm acontecido para tentar diminuir a contaminação do coronavírus no estado de São Paulo e também nas cidades 7 cidades que compõem o ABC Paulista.

Por mais que os prefeitos da região aumentem a fiscalização sobre os estabelecimentos comerciais, editem medidas sanitárias, coíbam a realização de festas, multem e repassem orientações, a população se queixa com razão da inércia de medidas específicas quanto ao transporte público, seja metrô, trem ou ônibus.

O Repórter ABC, ao longo de toda está pandemia que já vitimou, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 270.656 até a última 4ª feira (10.mar.2021).

No entanto, muitas ações não tiveram resultado positivo e o que se vê, infelizmente, é o número de casos aumentando, dia após dia. O transporte público é um dos locais que mais preocupa a população, principalmente, pela falta de condições de distanciamento. Medidas como a redução na circulação de ônibus, trens e metrôs, foram anunciadas, mas as lotações continuam acontecendo e não acompanham a demanda de passageiros.

Ainda que com restrições em boa parte do comércio, as ruas das cidades do se encontram com muita gente, muitas delas sem máscaras, item obrigatório e reconhecidamente eficaz.

Nos feedbacks, nossos leitores tem expressados os seus posicionamento nas postagens feitas nas redes sociais e apontam como sendo o “transporte público” o maior vetor de transmissão da COVID-19.

De forma genérica e sintetizada, os comentários se resumem a:

“A ida para o trabalho e a  volta para casa é muito complicada, pois os ônibus, trens e metrô estão sempre lotados e os usuários do transporte público passam muito tempo nas paradas”.

Há muitas queixas de redução na frota dos ônibus são recorrentes e se reverberam em todo o ABC Paulista. Além disso, do lado de fora das lojas, clientes também se aglomeram e formam filas nos arredores dos estabelecimentos, supermercados são tomados por famílias inteiras, bares são ocupados em número de pessoas acima do permitido, festas e pancadões são organizados clandestinamente. Ações estão que são ingredientes favoráveis ao aumento de infectados. Um verdadeiro caldeirão caustico e nocivo a saúde pública.

A situação é das mais delicadas para os gestores municipais, uma vez que mesmo tendo poder sobre o transporte público local (ônibus), esbarram no limite de suas competências.

Eles não têm por exemplo a autonomia para fechar empresas, não dispõem de recursos para manter trabalhadores em suas casas durante um possível período em que não estariam trabalhando.

Uma decisão de tamanha magnitude, está sob a competência do governo do Estado que controla além de ônibus intermunicipais, os trens e o metrô.

Por outro lado, o governo Federal vem demonstrando desinteresse em medidas mais enérgicas, com o seu mandatário vindo a público dizendo-se contrário a um lockdown nacional sob a alegação de quebra da economia, rebaixamento da importância do uso de máscaras, expressiva redução nos valores de custeio de leitos hospitalares específicos para COVID desrespeitando inclusive determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) – ver aqui e aqui – e incompetência para a aquisição de vacinas.

Na região do ABC, instalou-se o caos no sistema público de saúde com leitos ocupados 100% e pessoas morrendo a espera de vagas, as quais já quase inexistem em todo o estado de São Paulo.

Os prefeitos já começam a vislumbrar a necessidade de medidas mais drásticas. Ontem (10.mar.2021), conforme noticiou o Repórter ABC, – ver aqui .

O prefeito  de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), abertamente fez defesa a um lock total por determinado período, o prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PL), em situação de desespero pede repetidamente a colaboração dos munícipes para que evitem aglomerações e que só procurem a unidades de saúde em casos de extrema emergência – ver aqui .

Ao mesmo tempo em que reforça a fiscalização contra atividades que gerem aglomerações nas cidades.

O governo do Estado de São Paulo em ação conjunta com outros governos estaduais, estuda a aplicação da Fase Roxo no estado, o que impõe medidas mais restritivas.

A uma importante movimentação nos bastidores da política nacional, onde 22 governadores articulam um lockdown nacional previsto para ainda este mês de março de 2021. Ver aqui.

Enquanto isso, a população trabalhadora é obrigada a conviver diariamente com um transporte público lotado e sem a menor condição de segurança.

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