Doria, sem apresentar inovações robustas em Fase Roxa, frustra expectativas no ABC. Por Luís Carlos Nunes

O governador de São Paulo, João Doria sem ter inovações a serem apresentadas na Fase Roxa do Plano São Paulo pode ter aberto caminho para conflitos com os prefeitos da região do ABC Paulista e também com grande parte da população.

Entre as falas que contou com coletiva de imprensa, o governador tucano tentou se apossar de ações que não foram de sua iniciativa a exemplo do não retorno das aulas presenciais que fora fruto de decisão judicial proferida pela juíza  Simone Gomes Rodrigues Casoretti que na última 3ª feira (09.mar.2021) proibiu que o Estado obrigasse os professores e outros trabalhadores da educação a voltar às aulas presenciais nas escolas sem o controle da pandemia de covid-19 a pedido da APEOESP, entidade que representa os professores estaduais. Ver aqui.

Do mesmo modo o não aguardado pronunciamento tentou esconder a recomendação feita pelo Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Mario Sarrubbo, que recomendou ao governo paulista a suspensão de cultos religiosos coletivos, inclusive partidas de futebol, na Fase Vermelha do Plano São Paulo. Mais restritiva, a fase autoriza somente o funcionamento de serviços essenciais, visando conter o avanço do novo coronavírus (COVID 19). Ver aqui.

Sem inovar, apenas dando um banho estético  na nova Fase, o governador basicamente repetiu questões a exemplo de incentivar o delivery e trabalho remoto que já vinha sendo incentivado e praticado por autoridades e empresários.

Com relação ao transporte público, nada foi acrescentado a não ser recomendações para horários de saída do trabalhado como se jogasse a máscara aos olhos para não ver a super lotação de trens, ônibus e metro, que segundo a população é um verdadeiro risco ao contágio pelo vírus da COVID, isso não se pode deixar de reconhecer.

No documento oficial divulgado pelo governo do Estado, é expresso:

“O governo paulista fez recomendações de escalonamento do horário de entrada no trabalho para evitar aglomerações no transporte público contrariando as principais queixas de usuários sobre os riscos de contaminações durante os trajetos e locomoções”.

No campo político, Doria ainda tentou dar uma passadinha de mão no mau estar com os prefeito do ABC. Do Palácio do Bandeirantes, citou o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando que no dia anterior defendeu na grande mídia a importância de um lockdown total.

Em sua fala a Band News, Morando foi enfático na defesa:

“Olha eu defendo até porque a cidade de Araraquara fez e a variante foi contida. Nós deveríamos ter um lockdown total, era melhor para uma semana de maneira mais agressiva do que nós temos que ficar esticando porque do jeito que nós estamos vendo nós vamos chegar ao final do mês de março na fase vermelha prejudicando ainda mais o comércio, a atividade econômica e as pessoas saindo de casa. Então então eu defendo sim o lockdown total funcionando apenas serviços hospitalares, clínicas veterinárias e farmácias, o resto fecha”.

Esta não é a primeira vez que os tucanos se bicam! Em maio de 2020, Morando em estado de indignação, disse que não iria aceitar injustiças. O motivo do quiproquó se deu pelo fato de Doria ter classificado São Bernardo do Campo um nível de quarentena mais restritivo do que a Capital, mesmo que os índices de sua cidade estivessem melhores.

“Se o discurso até agora foi ciência, ciência, ciência, eu vou continuar seguindo a ciência, não vou deixar de proteger vidas. Mas não vou deixar que o discurso que vale aqui não faça valer na Capital ou em qualquer outro lugar”, afirmou Morando na ocasião.

Veja abaixo o vídeo.

Na mesma linha, ainda que de maneira mais moderada, os demais prefeito do ABC fazem coro em busca de auxílio estadual. Estão todos de pires nas mãos em busca – o quanto antes – de uma solução para as grave crise a qual enfrentam.

Os prefeitos do ABC, organizam fiscalizações ao comércio e empresas, paralisam festas e pancadões, fazem apelos aos munícipes para que atentem aos cuidados sanitários e estendem as mãos aos céus diante a situação caótica pela falta de leitos, profissionais…

Enquanto isso a artéria denominada metrô/trem avança com forte apito em terras “abecedianas”.

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