CoronaVac é eficaz contra variantes brasileiras do coronavírus, afirma Butantan

Em meio a um “alerta máximo” em São Paulo com a lotação de hospitais e números crescentes de mortes por covid-19, o governo de João Doria (PSDB) anunciou nesta 4ª feira (10.mar.2021) que a CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, é eficaz contra novas variantes do coronavírus. A informação foi divulgada em entrevista concedida no Palácio dos Bandeirantes.

A comprovação veio a partir de um estudo de pesquisadores do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas) da USP (Universidade de São Paulo). A eficácia valeria para 3 variantes em circulação no Brasil: P.1, P.2 e do Reino Unido. Segundo comunicado do governo, o resultado é preliminar. O estudo completo ainda não foi divulgado.

As variantes são versões mais graves do coronavírus. São mais transmissíveis e podem oferecer resistência às vacinas já em uso. Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, a CoronaVac produz anticorpos também contra a variante da África do Sul, ainda não identificada no país.

Covas atualizou o cronograma de entrega das vacinas ao Ministério da Saúde. Nesta 4ª feira (10.mar), foram repassadas 1,2 milhão de doses. Serão enviadas mais 3,3 milhões na próxima 2ª feira (15.mar). Até o fim de março, o Butantan terá entregue 22,7 milhões de doses da vacina ao governo federal, segundo o diretor do instituto.

O governador João Doria afirmou que o governo federal desobedeceu uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para pagar leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) e que entraria com nova medida na Corte.

No final de fevereiro, a ministra Rosa Weber, do STF, concedeu decisões provisórias para que o governo federal retomasse o custeio de 3.258 leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 em São Paulo.

“Parece inacreditável, mas é verdade. O Ministério da Saúde só tem 13% dos leitos habilitados em São Paulo. Isso é uma desobediência à lei. Vamos entrar com nova medida no Supremo, pela Procuradoria Geral do Estado, para informar a ministra Rosa Weber que sua decisão não está sendo cumprida como deveria”, disse Doria.

Doria fez novas críticas à condução do governo federal pandemia. Listou algumas causas que teriam contribuído para o “desastre” vivenciado no país:

“A falta de uma coordenação nacional no combate ao vírus; a insistência do governo federal de recomendar tratamentos inócuos, como Cloroquina e Ivermectina; a demora do governo federal na compra de vacinas; o equívoco de ter apostado um uma única vacina e não em várias; as medidas que o governo federal criou para dificultar a distribuição da vacina do Butantan; a falta de apoio ao uso de máscaras e distanciamento social”.

No Estado, 32 municípios já colapsaram o serviço de saúde. Na 3ª feira (9.mar) São Paulo registrou o recorde de mortes pela covid-19 em um único dia, desde o começo da pandemia. Foram 517 óbitos, segundo dados do governo paulista, e 16.058 novos casos. A ocupação dos leitos de enfermaria e de UTI também está em níveis recordes. Até 3ª feira (9.mar) o Estado tinha 8.972 pessoas em UTI, uma lotação de 82%. A 1ª vez que passou de 80% foi no dia 7 de março.

Diante do avanço crítico da pandemia sobre a capacidade de atendimento do sistema de saúde, o governo divulgou a abertura de mais 338 novos leitos em hospitais estaduais, municipais e filantrópicos: 167 de UTI e 171 de enfermaria.

Todos os leitos estarão operando ainda em março, segundo Doria. Este é o 3º anúncio de abertura de novos leitos em duas semanas. Nesse período, 2.315 pessoas foram internadas no Estado. A média é de 130 internações por dia nas UTIs paulistas.

“A cada 2 minutos existem 3 admissões em nossos hospitais, em UTI ou enfermaria”, disse o secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

A situação da pandemia no Estado levou o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, a recomendar a suspensão de cultos, missas e atividades religiosas, de partidas de futebol e de qualquer evento esportivo. A recomendação foi publicada no Diário Oficial desta 4ª feira (10.mar).

Coordenador do Centro de Contingência da covid-19, grupo que assessora o governo paulista, João Gabbardo disse que as recomendações podem fazer parte de novas medidas a serem anunciadas pelas autoridades estaduais.

“Nós estamos trabalhando para viabilizar medidas que possam aumentar o nível de isolamento social. Nós não tomamos medidas em função de um ou de outro setor. Já tivemos um resultado positivo nesses primeiros dias de fase vermelha com um aumento do isolamento”, declarou.

Desde o dia 3 de março o Estado inteiro está na fase vermelha do Plano São Paulo. A classificação é mais rígida, e permite apenas o funcionamento dos serviços essenciais.

O governo também anunciou o começo da vacinação de pessoas com 72, 73 e 74 anos de idade para o dia 22 de março, pelo sistema drive thru, e nas unidades de saúde estaduais e municipais. No dia 15 de março, começa a vacinação de idosos com 75 e 76 anos.

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