Ribeirão Pires pode ficar já na 2ª feira sem vacina. Situação pode se repetir na demais cidades do ABC

Repórter ABC, com informações da BBC Brasil e RD – Ribeirão Pires pode ficar sem vacinas contra a covid-19 já na 2ª feira (22.02.2021) caso o Ministério da Saúde não distribua novos lotes.

Na cidade, onde a vacinação vale para os maiores de 83 anos, moradores que foram até o drive-thru na tarde desta 6ª feira (19.02.2021) tiveram que voltar para casa sem serem vacinadas. Esse foi o caso da aposentada Araci dos Santos Lemos, de 83 anos, que ficou desapontada ao chegar no complexo Ayrton Senna para tomar a primeira dose e voltou para casa sem ser imunizada.

“Fui informada que não tinha mais vacina e que nem previsão tinha para a chegada de novas doses. Muito triste para quem esperou tanto tempo”, lamentou.

A aposentada conta, ainda, que em frente ao carro em que estava, outros dois veículos tiveram que deixar o espaço pela falta do imunizante.

“Não fui só eu que fiquei sem vacina, quem estava lá também ficou sem e teve que ir embora sem nada”, conta.

Em nota, a prefeitura de Ribeirão Pires informou que recebeu 6.707 doses da vacina e aplicou 6.262. Restaram 445 doses em estoque, porém elas estão reservadas para os profissionais de saúde tomarem a segunda dose e para os pacientes acamados. A cidade avalia que mantendo o ritmo da vacinação, na 2ª feira (22.02.2021) a cidade não terá mais nenhuma dose para aplicar.

“Se mantivermos a média de aplicações, a projeção é de no máximo 2 dias”, informou nesta sexta-feira (19.02.2021) a prefeitura.

O governo do estado, através de nota informou que a distribuição segue as estatísticas populacionais de cada faixa etária, dentro do Programa Nacional de Imunizações, mas não informou quando irá entregar novos lotes.

“A campanha de vacinação contra covid-19 tem como referência estatísticas populacionais e também o número de pessoas imunizadas contra a gripe em 2020, seguindo as orientações do Programa Nacional de Imunizações. Assim, São Paulo utiliza estes critérios para redistribuição das doses às prefeituras. A execução da campanha, com organização e distribuição de quantitativos na rede de saúde, bem como aplicação das doses na população, é responsabilidade dos municípios”, resumiu a secretaria estadual de saúde em nota.

Segundo o médico epidemiologista José Cássio de Moraes, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em entrevista à BBC Brasil, o principal problema da paralisação é bastante óbvio: quanto mais tempo demorarmos para vacinar, maior o risco de o coronavírus continuar a circular, infectar e matar as pessoas.

Segundo ele, “a aplicação de milhões de doses permite interromper as cadeias de transmissão do vírus ou evitar que a doença evolua para quadros mais graves, que necessitam de internação e intubação”.

“O atraso vai retardar a proteção de grupos prioritários. Isso vai levar a um aumento da necessidade de assistência hospitalar e de UTIs, o que, por sua vez, gera um gasto enorme ao sistema de saúde”, pontua José Cassio de Moraes.

Veja a situação das demais cidade do ABC

Santo André

A cidade que incluiu pessoas de 84 anos na campanha, reservando as doses remanescentes para esse público. A cidade recebeu 48.678 doses, incluindo a Coronavac e a AstraZeneca, e já aplicou 33.648. A diferença de 15.030 doses, segundo a prefeitura, não pode ser considerada como estoque, já que essas vacinas já foram distribuídas para os hospitais e unidades em que serão utilizadas. A prefeitura de Santo André informou em nota que espera a chegada de novo lote da vacina na próxima semana.

São Bernardo do Campo

Foi a segunda cidade em recebimento de vacinas, vieram para o município 47.724 doses e já foram aplicadas 43.790, restando aproximadamente 3.934 doses. Na cidade toda a população indígena, classificada como grupo prioritário já recebeu as duas doses da vacina. Atualmente a cidade está vacinando os profissionais de saúde e idosos acima dos 85 anos. Em nota, o município revelou a preocupação com o estoque.

“O avanço da campanha para novos grupos prioritários está condicionado ao envio de novas doses por parte dos governos estadual e federal”.

São Caetano do Sul

A cidade tem 2.020 doses da vacina em estoque. A cidade recebeu 20.376 doses e aplicou 18.356. A cidade é a que mais vacinou sua população. Por ter uma maior parcela de idosos a cidade já vacinou, de acordo com o calendário 10% da sua população. Sendo que entre os maiores de 90 anos, praticamente todos já foram vacinados.

A cidade informou que essas doses restantes estão reservadas para a segunda aplicação em profissionais de saúde que estão na linha de frente de enfrentamento à covid-19, os internos de ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) e os cuidadores destas instituições. A prefeitura informou que não tem informação sobre a chegada de novos lotes das vacinas.

Diadema

Tem apenas 1.348 vacinas que ainda não foram ministradas. A cidade recebeu 17.521 doses e já aplicou 16.120. A conta do estoque não é exata, pois alguns frascos podem dar mais doses do que o número oficial, assim como podem ocorrer descartes. A cidade está vacinando moradores acima dos 80 anos de idade.

“A previsão é de que Diadema receba nova remessa na próxima semana, porém, ainda não há detalhamento de quantas doses serão disponibilizadas ao município”, informou a prefeitura em nota.

Rio Grande da Serra não informou.

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