Professora Marilza recorre a justiça após ataque homofóbico

A vice-prefeita e pré-candidata a prefeita em Rio Grande da Serra, Professora Marilza de Oliveira (PSD), registrou um Boletim de Ocorrência (BO) nesta quinta-feira (25), após ser vítima de um ataque homofóbico ocorrido em uma mensagem divulgada pelo WhatsApp. A mesma mensagem falava sobre a família da educadora e pedia para que o prefeito Gabriel Maranhão (Cidadania) não a apoiasse, pois o autor do texto (não identificado pela reportagem) não quer “prefeita casada com outra mulher”. Marilza fala em covardia.

Apesar de relatar que não seria homofóbico, o autor do texto relata que é cristão e que a Bíblia “não ensina casamento de iguais (união homossexual)” e que na Constituição Brasileira, em seu artigo 226, fala que “família é homem, mulher e filhos”.

Na sequência relembra o ex-vereador Mario Carvalho da Silva, falecido em 2015, e que segundo o acusador teria entrado em depressão por causa de Marilza, fato que supostamente o teria levado à morte.

Por fim, realiza uma série de perguntas sobre a história política da educadora, e entre os questionamentos está a suspeita de que Juliana Oliveira da Silva, filha de Marilza, seria presidente de uma comissão que cuida do setor de compras e concorrências na Prefeitura de Rio Grande da Serra.

Após ter acesso ao conteúdo, Marilza e Juliana realizaram a denúncia para a Polícia Civil. Horas antes utilizaram as redes sociais para comentar o caso.

“Muito triste com os vídeos que vieram de que pessoas que conhecemos e que de forma covarde, pessoas que não tem amor ao próximo, que não tem respeito pelas pessoas e que nos colocaram em situações que são mentirosas, inverdades”, disse a vice-prefeita.

“Só eu e minha mãe sabemos o sofrimento do meu pai no hospital e ainda tem gente que quer brincar com isso, brincar com os sentimentos dos outros”, completou Juliana.

Vários políticos e pré-candidatos a prefeito demonstraram sua indignação com o fato. O prefeito Gabriel Maranhão, ao lado de Marilza, também adjetivou a situação como um ato de covardia e comparou tal agressão com os casos de racismo ocorridos nos Estados Unidos.

“Estou indignado com a mensagem que recebi, injusta, no meu WhatsApp e que eu acho que tem que ter um basta a agressão contra a mulher, um basta a essa covardia. Não podemos fazer com que no nosso país tenha o que está acontecendo nos Estados Unidos”, disse o chefe do Executivo se reuniu com sua vice logo após o texto ser espalhado para os munícipes.

O prefeito de São Caetano do Sul também prestou solidariedade a professora Marilza.
Desde junho do ano passado, após decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a homofobia foi tipificada como crime de racismo (lei 7716/89). No Senado Federal existem alguns projetos de lei que transformam o preconceito por orientação sexual e identidade de gênero como crime, mas até o momento não houve a votação.

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