Deficientes de Ribeirão Pires apontam problemas de acessibilidade no Boulevard Gastronômico, Kaeth Richers e Parque Linear

Não são tão recentes as queixas de deficientes físicos, cegos totais ou com baixa visão sobre a acessibilidade em Ribeirão Pires.

Desde que foram iniciadas as obras do Boulevard Gastronômico na cidade são registradas uma série de apontamentos de irregularidade no quesito acessibilidade o que os deixam excluídos nas políticas públicas da atual administração municipal.

Falta de planejamento: Rampa na rua Felipe Sabbag foi feita e desfeita por diversas vezes. #ParaCegoVer – Imagem da rampa de acesso na rua Felipe Sabbag que pega parte da calçada pondo em risco pedrestres

Conforme noticiou o Repórter ABC – ver matéria clicando aqui – a prefeitura enfrentou sérias dificuldades para a construção de rampa de acessibilidade localizada na rua Felipe Sabbag, centro de Ribeirão Pires. Foram diversas as vezes em que a administração local ordenou que o serviço fossem refeito.

Não bastasse as dificuldades da obra da referida rampa, também o piso tátil que deveria servir de orientação para cegos e efetivado sem a observação de normas técnicas que tratam do assunto.

Piso não atende acessibilidade para cegos e pessoas com baixa visão. #ParaCegoVer – imagem do piso tátil instalado no Boulevard Gastronômico

A Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Ribeirão Pires (AEARP), ao final do ano de 2019 apresentou denúncia ao Ministério Público alegando irregularidades. Ver Matéria clicando aqui.

Mais recentemente, o Conselho Municipal dos Direitos das pessoas com Deficiências de Ribeirão Pires (CONDEFI) encaminhou Ofício ao Secretário de Obras Takahara Yamauchi alertando sobre a paginação dos passeios no centro onde os pisos táteis direcionais e de alerta se confundem com a textura dos bloquetes e por conta da escolha aparentemente inadequada de contraste das cores dificultando a orientação das pessoas com baixa visão e a leitura da rota acessível para as pessoas cegas que fazem o seu percurso de forma autônoma através do uso de bengala.

Segundo ainda o ofício do CONDEFI datado de 26 de maio, é dito que é de conhecimento da sociedade que o Boulevard Gastronômico, fases 1 e 2, está sendo construído por meio de convênio com o  Governo do Estado através do Dadetur e que as “obras estruturais de revitalização do Calçadão do Comércio, entre a Rua do Comércio e Avenida Capitão José Gallo não está claro se tal obra seguirá a norma ABNT NBR 16537:2016 – Acessibilidade – Sinalização tátil no piso, pois, desde a Fase 01, foram apontadas as inconsistências que deveriam ser sanadas para evitar desperdícios de recursos financeiros e humanos”.

No Ofício, os Conselheiros do CONDEFI fizeram os seguintes questionamentos:

  1. Se o projeto Boulevard fase 2 seguirá as normas de acessibilidade?
  2. Em caso negativo, qual a justificativa?
  3. Esta intervenção continuará até o calçadão próximo a cancela da estação CPTM ? Lembrando que a CPTM Já fez intervenções neste trecho.

O CONDEFI de Ribeirão Pires, ainda no ofício passou orientações sobre o piso tátil indicado, conforme imagem abaixo.

Para cego ver: imagem com medidas e orientações sobre o piso tátil mais adequado para a orientação de pessoas cegas e com baixo visão. Nela tem o seguinte texto: “Nota: Quando o piso do entorno não for liso, é recomendada a largura L entre 0,25 m e 0,40 m, acrescida de faixas laterais lisas, com mínimo de 0,60 m de largura cada uma, para permitir a percepção do relevo da sinalização tátil no piso, conforme a Figura 45. Faixa de piso liso complementar Faixa de piso liso complementar L recomendado 0,25 a 0,40 mín.  e 0,60 mín 0,60 Piso do entorno não liso”.

Em resposta ao CONDEFI datada de 5 de junho de 2020 a Secretaria de Obras respondeu que “Caso as questões de acessibilidade expostas pelo ofício 003/2020 fosse rejeitadas por técnicos do governo do Estado, a municipalidade não teria fechado o convênio em questão e não teria recebido medições” (sic).

Acompanhe abaixo a íntegra do Ofício Resposta da Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal de Ribeirão Pires que foi vazado para o Repórter ABC.

Segundo integrantes do CONDEFI, o colegiado estuda medidas a serem tomadas para que se garanta o direito a acessibilidade e locomoção segura em Ribeirão Pires.

Para os portadores de deficiencia da cidade, “não é animador constatar que tanto nas obras da avenida Kaeth Richers como nas do Parque Linear não se respeitas normas técnicas e tão pouco se garante acessibilidade ou o direito de circulação segura”.

Em vídeo encaminhado para a redação do Repórter ABC, um acompanhante de um deficiente visual explica as dificuldades e os erros sobre o piso tátil aplicado no passeio da avenida Kaeth Richers.

Outra queixa apresentada está na obra do futuro Parque Linear localizada na avenida Valdírio Prisco, centro da cidade.

Calçada sem piso tátil funcional pode ser armadilha para cegos, falta de espaço não permite adequada circulação de cadeirantes. #ParaCegoVer – Foto mostrando poste no meio da calçada e árvore em espaço inadequado que impede a circulação de cadeirantes

Segundo a denúncia, o piso tátil não atende a necessidade de cegos e no mesmo passeio há bloqueios de postes, arvores e dimensões inadequadas em determinados trechos para que cadeirantes possam circular com segurança.

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