Instituto Brasil-Israel denuncia: governo Bolsonaro usa referências do nazismo

“Quem tinha dúvidas, já não as têm. Se segue no barco, compactua, pelo menos em parte, com esse ideário. A história cobrará o preço”, aponta o Instituto, que tem como finalidade propagar a cultura de Israel

A utilização de um slogan nazista numa campanha publicitária do governo federal foi duramente repudiada pelo Instituto Brasil-Israel, que tem como finalidade informar o público brasileiro sobre temas relacionados a Israel.

Entrada para Auschwitz I

“Não é mais necessário insistir no fato de que o Governo Federal utiliza referências do nazismo. Quem tinha dúvidas, já não as têm. Se segue no barco, compactua, pelo menos em parte, com esse ideário. A história cobrará o preço”, postou o IBI, em seu twitter.

Ver ao Final da Matéria, imagens com a frase “Arbeit macht frei” em diversos campos de concentração nazistas.

Foi uma resposta ao fato de a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República ter usado a frase-símbolo dos campos de concentração —”o trabalho liberta”— numa propaganda do governo Bolsonaro. O tema era o coronavírus. para divulgar as ações que o governo federal vem tomando para conter o avanço do novo coronavírus no País.

A frase “O trabalho liberta” (“Arbeit macht frei”, em alemão) foi usada, por exemplo, no portão do campo de Auschwitz, na Polônia (na foto). O vídeo tem uma música em tom marcial, típica das peças de propaganda nazistas.

Neste domingo, o secretário de Comunicação Fábio Wajngarten usou o fato de ser judeu para negar que o governo seja nazista, embora tenha mantido o slogan nazista. Foi ele quem aproximou Jair Bolsonaro da ala mais à direita da comunidade judaica durante a campanha presidencial.

Não é a primeira vez que o Governo Bolsonaro expõe o seu declínio ao nazismo de Adolf Hitler. Em janeiro deste ano, Bolsonaro foi obrigado a demitir seu ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim reproduziu fielmente a fala e ambiente em que o ministro de Adolf Hitler, Joseph Goebbels. Em vídeo para divulgar concurso, Roberto Alvim disse que a arte deve ser ‘heroica’ e ‘imperativa’, ‘ou não será nada’, assim como Goebbels. Ver matéria do Portal G1 clicando aqui.

Confira abaixo o tweet do Instituto Brasil-Israel neste domingo e também a posição do IBI sobre o uso da bandeira de Israel em manifestações fascistas no Brasil:

Arbeit macht frei

Arbeit macht frei” é uma frase em alemão que significa “o trabalho liberta”. A expressão é conhecida por ter sido colocada nas entradas de vários campos de extermínio do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, como em Auschwitz I, onde a inscrição foi feita por prisioneiros com habilidades em metalurgia e foi erigida por ordem dos nazistas em junho de 1940.

Uso pelos nazistas

A frase “Arbeit macht frei” foi colocada nas entradas de vários campos de concentração do regime nazista. O uso da expressão, neste caso, foi ordenado por Theodor Eicke, um general da SS, inspetor de campos de concentração e segundo comandante do campo de concentração de Dachau.

A frase ainda pode ser vista em vários locais, inclusive sobre a entrada de Auschwitz I, onde, de acordo com o historiador Laurence Rees, em sua obra “Auschwitz: uma Nova História“, a inscrição foi erguida por ordem do comandante Rudolf Höss. Esta placa em particular foi feita por prisioneiros-trabalhadores.

Em 1933, os primeiros presos políticos estavam sendo caçados pelos nazistas por um período indefinido, sem acusações. Eles foram detidos em vários locais na Alemanha. A expressão foi usada pela primeira vez sobre o portão de um “acampamento selvagem”, na cidade de Oranienburg, que foi criado em uma cervejaria abandonada em março de 1933. Ela também pode ser vista nos campos de concentração de Dachau, Gross-Rosen e Theresienstadt, além do Forte Breendonk, na Bélgica. Afirma-se que a frase foi colocada sobre os portões de entrada de Auschwitz III/Buna/Monowitz. O slogan apareceu no campo de Flossenbürg, no portão de entrada.

No campo de Buchenwald, a expressão “Jedem das Seine” (literalmente “cada um na sua”, mas idiomaticamente “todo mundo tem o que merece”) foi usada.

Em The Kingdom of Auschwitz, Otto Friedrich escreveu sobre o Rudolf Höss (que iniciou o uso da frase em campos de extermínio):

Ele parece não ter tido a intenção de usar isto como um escárnio, nem sequer ter tido a intenção, literalmente, de usar a frase como uma falsa promessa para que aqueles que trabalhassem até à exaustão acabariam por serem libertados, mas sim como uma espécie de declaração mística que o auto-sacrifício na forma do trabalho sem fim traz, em si mesmo, um tipo de liberdade espiritual.

Roubo de placa metálica de Auschwitz

A placa metálica com a frase em Auschwitz foi roubada em dezembro de 2009 por ladrões e mais tarde recuperada pelas autoridades, mas em três pedaços. Anders Högström, um ex-líder neonazista sueco, e dois poloneses foram presos pelo crime. Como resultado, o original está agora no Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau, e uma réplica foi colocada sobre o portão do antigo campo de extermínio nazista.

Em Auschwitz I

Campo de concentração de Sachsenhausen

Campo de concentração de Theresienstadt, na República Tcheca

Campo de concentração de Dachau

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