Bolsonaro participa de ato, ataca governadores e diz que “muitos perderão suas vidas”. Bolsonaristas agridem jornalistas

“Nós temos as forças armadas e o povo ao nosso lado”, diz Jair Bolsonaro ao participar no início desta tarde da “carreata da morte”, em Brasília. O ocupante do Planalto também voltou a atacar os governadores e subestimar o poder de contaminação do coronavírus

Um dia após depoimento do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, à Polícia Federal, Jair Bolsonaro recebe apoio em um ato em Brasília. De manhã, o Distrito Federal amanheceu com um acampamento em defesa de Bolsonaro e contra o Congresso – com ataques explícitos ao presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia – e com uma carreata com os mesmos objetivos.

Bolsonaro encontrou os manifestantes no Palácio do Planalto e, novamente, defendeu o fim da quarentena com o pretexto de que não se pode deixar os efeitos colaterais do combate ao coronavírus serem mais prejudiciais que o próprio vírus. “Infelizmente, muitos serão infectados e perderão suas vidas, mas é uma realidade”, disse. Bolsonaro também aproveitou para atacar os governadores estaduais, colocando a culpa neles pelo desemprego de milhares de trabalhadores durante a pandemia.

Em frente ao ato com bandeiras do Brasil, Israel e Estados Unidos, ele também declarou: “Nós temos o povo ao nosso lado e as Forças Armadas ao lado do povo”. A declaração é feita em momento de grande crise do Planalto com setores do Judiciário e do Legislativo. Além disso, muitas faixas pela intervenção militar, religiosas e contra os outros poderes podem ser vistas carregadas pelos manifestantes.

Bolsonaristas agridem jornalistas da Globo, Estado e Folha de S.Paulo com chutes, empurrões e murros (vídeo)

Apoiadores de Jair Bolsonaro agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do jornal Estado de S.Paulo que acompanhava a “carreata da morte” realizada neste domingo, 3, em Brasília, que defende o fim da quarentena e o total apoio ao ocupante do Planalto

Apoiadores de Jair Bolsonaro agrediram com chutes, murros e empurrões as equipes de profissionais da Globo, Estado e Folha de S.Paulo que acompanhavam uma manifestação pró-governo realizada neste domingo, 3, em Brasília. O fotógrafo Dida Sampaio, do Estadão, registrava imagens do presidente em frente a rampa do Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios, numa área restrita para a imprensa quando foi agredido. A informação é do jornal Estado de S.Paulo.

Segundo a reportagem, Sampaio usava uma pequena escada para fazer o registro das imagens quando foi empurrado duas vezes por manifestantes, que desferiram chutes e murros nele. O motorista do jornal, Marcos Pereira, que apoiava a equipe de reportagem também foi agredido fisicamente com uma rasteira. Os manifestantes gritavam palavra de ordem como “fora Estadão”.

Os dois profissionais precisaram deixar o local rapidamente para uma área segura e procuraram o apoio da polícia militar. Eles deixaram o local escoltados pela PM. Os profissionais passam bem. Os repórteres Júlia Lindner e André Borges, que também acompanham a manifestação para o Estadão, foram insultados, mas sem agressões.

De acordo com a Folha de S. Paulo, Jair Bolsonaro foi alertado, conforme é possível ver em vídeo da transmissão que fez ao vivo via rede social, sobre as agressões a profissionais da Rede Globo e nada fez.

“Expulsaram os repórteres da Globo, expulsaram os repórteres”, disse uma pessoa a Bolsonaro, que respondeu: “pessoal da Globo vem aqui falar besteira. Essa TV foi longe demais”.

Veja vídeo das agressões:

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