O inadequado índice de isolamento social no ABC e o seu arriscado afrouxamento

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Dados mais recentes do Governo do Estado de São Paulo, através do Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP)  apontam que o ABC Paulista apresenta média de isolamento social de 51,78%, pouco acima do índice estadual que registrou nesta terça-feira (14), 50%. Os números estão bem abaixo do ideal, 70%. Segundo o governo do Estado, atualmente, há acesso a dados referentes a 104 cidades com população igual ou superior a 70 mil habitantes. Rio Grande da Serra não teve dados divulgados sobre o seu índice de isolamento social. Ver infográfico ao final da matéria.

A baixa adesão pode ser um sério problema uma vez que o secretário de Saúde do Estado, José Henrique Germann anunciou previsão de que a primeira reserva de leitos hospitalares se esgote até o mês de maio e uma segunda reserva, se esgotará até julho.

“Se mantivermos esse grau de isolamento social, podemos inferir que provavelmente a primeira reserva de leitos e UTI deve terminar até o final de maio e outra até o final de julho”, afirmou em entrevista coletiva. Dados mais recentes obtidos pelo Repórter ABC apontam que até o momento, 1.143 pacientes estão internados em UTI’s em todo o Estado.

Em mais recente orientação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pede para que se controle a transmissão do coronavírus antes de se afrouxar restrições.

Segundo a matéria divulgada pelo “El País” nesta quarta-feira (15), “a OMS atualizou sua estratégia segundo seis critérios que os países devem cumprir antes de revogar as medidas de confinamento. O primeiro é que a transmissão do vírus ‘precisa estar controlada’. O segundo, que os sistemas sanitários tenham condições de ‘detectar, testar, isolar e tratar cada caso’, além de ‘rastrear seus contatos’ de risco para adotar as medidas oportunas com eles. O terceiro ponto põe o foco em áreas-chaves na evolução da epidemia: os hospitais e asilos para idosos.”

Os outros três critérios destacados pela OMS são a adoção de “medidas de prevenção” em todos os espaços que as pessoas precisam continuar frequentando, que podem ser postos de trabalho, escolas etc…, a gestão adequada dos casos importados e a formação da sociedade para que aprenda a conviver e reduzir os riscos frente ao vírus.

Por outro lado, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, composto por sete cidades, anunciou que em assembleia mensal (que aconteceu por videoconferência) na terça-feira (14), uma revisão em medidas para atividades econômicas e circulação de pessoas durante a quarentena.

Entre a deliberações, decidiu-se pela ampliação do horário de funcionamento dos postos de combustíveis, permitindo sua abertura também aos domingos e feriados. Com isso, esses estabelecimentos, assim como suas lojas de conveniência, podem operar todos os dias, das 7h às 19h. Outra medida acordada pelo colegiado é o funcionamento das bancas de jornais e revistas, que também foi autorizado nas sete cidades.

Como procedimentos de higienização e controle, todos os estabelecimentos liberados para funcionar devem ter as filas nos caixas e balcões de atendimento organizadas com fitas de isolamento, observada a distância mínima de dois metros entre as pessoas.

Todos os funcionários e colaboradores dos estabelecimentos deverão trabalhar obrigatoriamente com equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo máscaras de proteção. Além disso, todas as máquinas de cartão de crédito e de débito deverão ter o teclado imediatamente higienizado após a utilização por cada cliente, garantindo-se, ainda, que cada consumidor introduza e retire, ele próprio, o cartão das máquinas.

Na pauta da assembleia, foi abordada a dificuldade de compra de testes rápidos para a detecção do COVID-19 no mercado internacional, que tem apresentado aumento expressivo de valores e prazos de entrega muito longos.

Em 31 de março, o Repórter ABC publicou matéria exclusiva com italiana que mandou mensagem de otimismo aos brasileiros e relatou o seu cotidiano em quarentena e falou sobre os resultados de medidas adotadas em seu país para inibição do contágio com o coronavírus. Clique aqui.

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