Bolsonaro diz já ter decreto pronto para por fim a quarentena: “Cada família que cuide dos seus idosos”

Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que quem tem menos de 60 anos não tem com o que se preocupar e que “cada família cuide dos seus idosos, não pode transferir isso para o Estado”. Questionado se pensou em trocar o ministro da Saúde, riu e disse “um beijo, Datena”

Pouco depois de o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defender o isolamento social em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (8), Jair Bolsonaro criticou as regras em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Bandeirantes.

Bolsonaro disse que não pode haver ‘toque de recolher’, que correr no calçadão não tem nada demais, que quem tem menos de 60 anos não tem com o que se preocupar.

Ele afirmou já ter um decreto pronto para determinar a reabertura das “atividades essenciais”, que para ele é “toda atividade essencial para um homem poder levar um prato de comida pra casa”. Mas que não assinou ainda porque deverá ser derrubado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ou pela Justiça.

Ele também disse que o Estado não é responsável por cuidar dos mais velhos. “Tenho falado com o Osmar Terra, que entende muito de H1N1 e ele diz que com ou sem isolamento, o número de óbitos será grande. Com relação aos mais velhos, que cada família cuide dos seus idosos, não pode transferir isso para o Estado”.

Questionado se pensou em trocar o ministro da Saúde, deu risada e respondeu “um beijo, Datena”.

Sobre o pronunciamento que fará em rede nacional na noite desta qurta-feira, ele adiantou que a fala terá menos de quatro minutos e que falará sobre o doutor Roberto Kalil Filho, que segundo ele “usou, depois de contaminado, a hidroxicloroquina”.

Bolsonaristas lançam campanha de desobediência a ações contra covid-19

São Paulo, em uma rara cena de cidade vazia

Um grupo que se autodenomina “think tank” da “militância político cultural conservadora”, bolsonarista e olavista, convocou pelas redes sociais uma campanha para que empresários e comerciantes reabram seus negócios, contrariando recomendação de autoridades sanitárias para que todos respeitem o isolamento social como medida preventiva à covid-19.

Inspirado na Black Friday, a campanha foi apelidada de Black Week Bolsonaro pelo grupo, chamado Soberanistas. Pelo cronograma previsto, a reabertura em massa deveria ter começado ontem, o que não ocorreu.

“Todos os estabelecimentos empresariais, comerciais, autônomos, prestadores de serviço, todo o povo que trabalha, deve abrir as portas e retornar ao trabalho. Vamos todos comprar muito. Pelo Brasil, todas as empresas vão fazer um grande Black Friday durante a semana, com preços lá embaixo”, diz Valquíria Lopes, uma das líderes do Soberanistas e responsável pela apresentação do vídeo.

“Saia de casa, vá de carro, coloque a bandeira do Brasil, buzine e compre muito na Semana Nacional de Reabertura do Comércio. A semana Bolsonaro será um sucesso”, continuou. O vídeo foi retirado do ar pelo Twitter por violação aos termos da rede social após ser denunciado por vários seguidores, que consideraram a publicação um atentado à saúde.

Veja o vídeo:

Em outro vídeo publicado nas redes sociais, Valquíria condenou o que chamou e censura da esquerda. Em suas postagens, há ataques a desafetos do presidente Jair Bolsonaro, como os governadores João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ). Também há críticas duras a jornalistas e publicações em defesa da família Bolsonaro. Em seu perfil, Valquíria se apresenta como bolsonarista. “Detesto isentões, feminina e anti-feminista”, escreveu.

Esta não é a primeira vez que bolsonaristas lideraram uma campanha para reabrir o comércio em cidades e estados onde os governantes mantiveram em funcionamento apenas atividades essenciais.

Várias carreatas organizadas pelo país pediram a volta à normalidade sob a alegação de que apenas idosos e pessoas com doenças preexistentes devem se isolar, reverberando a tese do presidente. E contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), que defendem o distanciamento social ampliado como método mais eficaz para combater o coronavírus.

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