O preciso e indefectível ecoar das panelas – por Aldo Cursino*

Segundo a física o som se propaga pelo espaço, mas é indefinido seu alcance, sua duração e sua capacidade de tradução por outras galáxias, planetas ou seres vivos que possam habitar outros planos siderais. Enfim, não sabemos se o que falamos, os sons que fazemos, mesmo com potentes amplificadores ou emissores específicos para estudos interplanetários, podem realmente se propagar pelo universo. Segundo a NASA, sim! Porém, não se tem notícias de respostas… e se olharmos atentamente a bíblia encontraremos em Mateus 15:18: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.”

Ciência e religiosidade à parte, passamos por um momento histórico, e como todo momento histórico, viveremos seus sofrimentos, suas angústias e quiçá suas “benesses”.

A corrupção, que possivelmente atracou com Cabral, o navegador, lá pelos idos de 1500, devastou a oportunidade de sermos uma grande e próspera nação, escravizou e empobreceu o povo. Fomos colonizados por ladrões, que trocaram suas masmorras pela possibilidade de liberdade numa terra onde seu único objetivo era tirar tudo que tivesse valor, da madeira aos diamantes e o ouro.

Extorquiram, mataram, dizimaram tribos indígenas inteiras e tiveram seus nomes de bandidos exaltados, denominando ruas, avenidas, estradas e até cidades inteiras. Tornaram-se heróis, assim como ditadores, assassinos e torturadores. Somos a nação que mais reconhece e enaltece seus vilões e que continua fazendo isso a cada processo eleitoral.

Absorvemos e tornamos verdade a cultura e o conhecimento inútil através de palpites escusos e “fakeados” nas redes sociais, criados pelo poder e pelos meios de comunicação que se prestam a divulgar verdadeiras calamidades e pior, ainda nos prestamos a ecoar tudo que ouvimos como se não tivéssemos o mínimo poder de discernimento entre o certo e o errado, ou pelo menos duvidoso.

Através de meia dúzia de cabeças a serviço de uma minoria que jamais se desligou do poder, elegemos um bárbaro, mal educado, preconceituoso e defensor de métodos nada civilizados de imposição de suas vontades e de seus tão mentecaptos filhos, uivamos nossa ignorância para deleite de toda mídia mundial, cortamos à faca o único fiapo de esperança em continuar, mesmo em crise, rumo ao crescimento e desenvolvimento social. Perdemos a oportunidade em reagir frente à manipulação imposta pelo poder dominante, seguimos em marcha junto aos nossos traidores.

Fizemos passeata lado a lado com os que pouco mais adiante iriam extorquir nossos direitos. Bradamos, fizemos barulho e ainda elegemos nos municípios, um resquício dessa quadrilha que roubou à mão grande o sonho dos trabalhadores do Brasil.

Fomos às ruas, batemos panela, perdemos e continuaremos perdendo a passos largos.

Agora, descansemos assentados em nossos confortáveis sofás, assistindo pela TV ao desmonte que se inicia, regozijando-nos do barulho que fizemos e que agora ensurdece nossos ouvidos e, quem sabe, com alguma sorte, cresçamos como um país que aprendeu, às duras penas a pensar.

* Aldo Cursino dos Santos, químico e tecnólogo em gestão da qualidade, consultor, auditor em sistemas de gestão da qualidade e atuou por 20 anos na administração pública e em uma das maiores certificadoras de sistemas de qualidade mundiais

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