O pós coronavírus para o Brasil – por Clóvis Volpi

Vamos fazer uma análise simplista do que poderá ocorrer, economicamente, no Brasil após a passagem do Coronavírus: comércio formal descapitalizado e com dívidas. Indústrias, além de descapitalizadas, a necessidade de retomar a produção e depender da capacidade de consumo da população que, por sua vez, consumiu suas economias, poupanças, e a ansiedade (psicológica) de retomar suas vidas, não farão investimentos naquilo que consideram supérfluos e, portanto, possível de ser adiado.

O índice de desempregados crescerá absurdamente em pouco tempo, o que desencadeará desequilíbrio da ordem social em todas camadas sociais, cada uma a seu modo de vida. Poderá, ainda, não ser o caos, mas, se não houver a intervenção rápida dos governos (Federal, Estadual e Municipal) na economia, esse poderá ser o ano do início de uma recessão que durará pelo menos 5 anos. Aí sim será o Caos.

A solução, de coragem, deverá ser tomada pelo Governo Federal. Em primeiro lugar, é bom entender que o orçamento da União e de alguns Estados e Municípios é, naturalmente, deficitário. A União tem suas reservas (lastro) e, com certeza, recorrerá à elas para colocar créditos no mercado para atender a demanda da retomada do crescimento com essencial e industrial, diminuindo a curva do crescimento do desemprego.

Não sendo suficiente para suprir essa demanda, haverá duas saídas. Ir ao FMI, o que seria um retrocesso e aniquila a vida pública do presidente, já que o Brasil não faz essas operações há muito tempo, ao contrário, liquidou suas contas. A segunda alternativa seria a emissão de moeda, sem o lastro já consumido, para municiar o mercado com mais créditos e assim retomar o crescimento industrial, comercial e o consumo.

O resultado dessas operações, será de difícil escolha. Recessão ou inflação. Não investir, teremos a Recessão. Investindo, por meio de créditos externos ou por emissão de moeda,teremos inflação.

A recessão é terrível e terá distúrbio social de toda ordem. A inflação, já conhecemos e convivemos com ela por anos até surgir o plano Real. O que assusta é que o mundo poderá passar pelo mesmo problema ao mesmo tempo, e aí, as decisões deverão ser conectadas entre todos países dos 5 continentes, preservando-se a necessidade dos emergentes.

O país que tentar resolver por conta própria essa crise, com certeza terá mais dificuldades para sair dela. O Brasil, mais do que nunca, precisará da capacidade de recuperação dos países ricos para voltar à rota do crescimento.

Vamos aguardar a decisão do presidente em qual barco vai nos levar…. recessão ou inflação.

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