Sim é Sim e Não é Não, e o eleitor merece a verdade! por Aldo Cursino*

A Bíblia, livro mais lido, compartilhado e divulgado no mundo, já alerta há mais de 2.000 anos, que tudo que difere do sim e do não, não é de boa procedência. Da mesma forma, através dos séculos, o ser humano criou a consciência de que as respostas precisam ser precisas, objetivas e verdadeiras, doa a quem doer, sejam elas positivas ou negativas.

Um grande amigo, com grande histórico político, me disse uma vez: É melhor um “não” verdadeiro, que um “sim” falso! E ele está recoberto de razão, pois um dia, toda verdade vem à tona e seus efeitos podem ser de uma simples frustração a uma verdadeira catástrofe, principalmente quando o que está em jogo são as propostas, planos e objetivos de uma campanha eleitoral.

Assim como o Livro Sagrado, independente da crença ou religião, a legislação brasileira também separa, ou pelo menos tenta separar o joio do trigo, pois apresenta através do Artigo 11, § 1, inc. IX lei Eleitoral – Lei Federal nº9504/97, a obrigatoriedade de apresentação do Plano de Governo, ou seja, as diretrizes e pensamentos que norteiam as pré-candidaturas aos cargos executivos.

A existência e o acompanhamento do projeto ora apresentado, inclusive no âmbito jurídico, seriam excelentes se o mesmo fosse legalmente contestável ou de seguimento obrigatório, mas trata-se de um documento requerido apenas no registro da candidatura e não há sanções ou penalidades para punir a inobservância de seu conteúdo. Por outro lado, grande parte da população sequer tem acesso ou se interessa se o mesmo é relevante ou se após as eleições suas diretrizes são eficazmente aplicadas em benefício da população.

Outro item de preocupação ainda mais relevante é que a mesma legislação não requer qualquer tipo de planejamento ideológico, partidário ou popular dos postulantes aos cargos legislativos e com isso, o “sim” e o “não” perdem qualquer razão de existirem, principalmente numa eleição com prazos e recursos reduzidíssimos como a de vereadores e a partir daí, as promessas, falácias, protestos e demais argumentos são jogados num grande lago de pesca, daqueles de festa junina, onde primeiro você escolhe o peixe e depois vai saber se teve sorte ou se mais uma vez se deu mal.

Nossos políticos têm extrema dificuldade com o “não”, pois acreditam que o eleitor anseia apenas por respostas positivas e essa decisão pode até ajudar em uma eleição ou parte dela, mas num futuro próximo, pois os mandatos tem apenas 4 anos, o eleitor enganado vai com certeza se lembrar do “sim” dito na hora do pedido de voto, que com o tempo se tornou um grande e amargo engodo.

* Aldo Cursino dos Santos, químico e tecnólogo em gestão da qualidade, consultor, auditor em sistemas de gestão da qualidade e atuou por 20 anos na administração pública e em uma das maiores certificadoras de sistemas de qualidade mundiais

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