Familiares de Zé do Bigode pedem justiça e contestam versões oficiais sobre os fatos

Ricardo Orsini, homem de confiança do prefeito Kiko Teixeira, só registrou a ocorrência após passado 24 horas do período de flagrante. veículo foi escondido e bicicleta da vítima levado para sede da Secretaria Municipal de Segurança

Familiares do Agente de Serviços Gerais, José André Carlos, lotado na Secretaria de Serviços Urbanos da Prefeitura de Ribeirão Ribeirão, morto na manhã da última sexta-feira (21) por volta das 6:30hs entraram em contato com o Repórter ABC e contestaram a versão divulgada em Nota Oficial pela Administração Municipal.

Conforme informaram, “em momento algum a prefeitura encontrou em contato com familiares ou mesmo prestou apoio a nossa família”, disse um dos representantes enlutados.

Segundo ainda, “tudo não passou de informações falsas e meu tio, Zé do Bigode apesar de ser pessoa muito simples era organizado e pagava mensalmente um plano funerário o que lhe permitiu um enterro digno garantido com o próprio suor”.

José André Carlos, ou Zé do Bigode como era conhecido, foi sepultado às 16 horas deste sábado (22) e completaria no próximo dia 22 de fevereiro 65 anos de idades.

Após longa conversa é recebimento de farta documentação e ‘prints’ de Whatsapp com representantes da família de Zé do Bigode, o Repórter ABC relata com exclusividade aquilo que os parentes chamam de desrespeito com a memória de seu ente querido que foi morto a caminho do trabalho. Familiares acusam Ricardo Orsini de manipulador e pessoa de má fé pois até então ele ainda não havia assumido a autoria do atropelamento.

Iniciando o relato da versão, foi nos dito que “somente às 09:40hs a família soube que o Zé do Bigode tinha sofrido um acidente e que estava internado no Hospital Nardine em Mauá. Um parente que trabalha numa rede de supermercados de Mauá pediu uma saída para saber o que tinha acontecido, chegando no Nardine a recepcionista informou ao mesmo que tinha um rapaz acompanhando o Zé do Bigode e que este era o Ricardo Orsini. O Ricardo Orsini, de súbito falou para o familiar que o Zé do Bigode estava na contra mão da via, no meio da pista igual um louco. E a todo momento ele (Ricardo Orsini) e sua esposa conversavam com os policiais militares”.

Na continuidade do relato, “Um pouco após chegou um outro familiar e o Ricardo Orsini perguntou para o mesmo se o Zé do Bigode era cego, se ele tinha cataratas, e que afirmou que ele era velho para andar de bike, fala esta que era repetida constantemente por Ricardo Orsini”, foi dito a esta reportagem.

“Próximo ao meio-dia, servidores do Hospital Nardini solicitaram para que fosse providenciado os documentos do Zé do Bigode. Solicitação que foi feita a outros parente que estavam em Rio Grande da Serra por telefone. Mas por volta das 13:20 foi comunicado o óbito de Zé do Bigode. Os parentes que estavam levando os documentos, ao chegarem no Hospital Nardini já não mais encontraram Ricardo Orsini. O Ricardo Orsini foi embora junto com a esposa e com a chegada dos documentos foi iniciada a burocracia e tramites para a liberação do corpo para o IML de Santo André.Até então, não sabíamos que ele era o autor do atropelamento. Não sabíamos que ele era da prefeitura e nem imaginávamos que ele estava envolvido”.

O caso da morte de Zé do Bigode ganha ressonância quando confortados com os dados apresentados pela Prefeitura de Ribeirão Pires a também com o Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado na Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires e com o Registro feito pela Polícia Militar (RDO).

Vale aqui frisar antes de mais nada, que o Repórter ABC noticiou o caso do atropelamento e consequente morte de Zé do Bigode neste sábado (22) às 14:09hs.

Somente após a grande repercussão, às 15:01hs, Ricardo Orsini se dirigiu até a Delegacia de Polícia para registrar a Ocorrência.Fato que chama muito a atenção, uma vez que ao invés do veículo oficial ter sido conduzido na garagem da prefeitura foi estacionado no Parque Parque Municipal Milton Marinho de Moraes “Camping”, em Ribeirão Pires e a bicicleta de Zé do Bigote ter sido confiscada e escondida em banheiro privativo do Secretário Municipal de Segurança, Coronel Navarro.

O Boletim de Ocorrência não teve a participação de nenhum familiar do falecimento e conta com a versão exclusiva do secretario adjunto, Ricardo Orsini e só ocorreu após expirada o período de 24 horas em que vigora o flagrante delito.

Ao Fatos contraditórios

Segundo a Nota Oficial da Prefeitura de Ribeirão Pires, com base no Boletim de Ocorrências registrado na Delegacia de Polícia o fato do atropelamento se deu às 6:30 da manhã da sexta-feira (21) e que o registro feito pela polícia militar de deu às 7:oohs da manhã do mesmo dia.

Trecho do B.O. registrado na Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires só aconteceu após o período de flagrante e após publicação de matéria do Repórter ABC

Registro de Ocorrência da Policia Militar acusa horário incompatível com os fatos registrados. Atropelador foi colocado na condição de testemunha e não apontada a necessidade de Boletim de Ocorrência

Conforme noticiou este veículo de comunicação, “Nossa fonte afirma ter visto o veículo sendo estacionado por volta das 7:05hs da manhã no Camping com a frente amassada mas que não identificou o motorista (pois estava a certa distância) e não fez o registro da imagem, apenas (mais tarde) verificou o adesivo e a placa do mesmo, confirmando ser veículo da municipalidade.” Clique aqui para ler a matéria.

Outro fato que coloca em cheque a versão da prefeitura, do B.O. registrado e do registro de Ocorrência da Polícia Militar, é conversa que foi mantida por familiares de Zé do Bigode entre às 10:12 e 10:17hs da sexta-feira (21) onde no diálogo, um familiar afirma o atropelamento aconteceu às 07:00hs e que o registro de entrada na UPA da Santa Luzia foi às 08:05hr, horário este confirmado na recepção. 08:45 foi feito a entrada no Hospital Nardine em Mauá. Ver abaixo o print da conversa no aplicativo Whatsapp.

Ricardo Orsini é apontado pelos familiares que mantiveram contato com ele como uma pessoa fria e manipuladora.

Abaixo, postamos prints das conversas mantidas antes da família saber quem era o autor do atropelamento que ceifou a vida do servidor público da prefeitura de Ribeirão Pires. Neles (prints), Orsini claramente tenta desviar o seu foco mencionando outros servidores da administração municipal e se faz passar por pessoa que está isenta das responsabilidades.

“Nenhuma das questões foram respondidas, cadê a prefeitura que não entrou em contato com os familiares. Há pouco caso e Zé do Bigode não era sozinho, tinha família e iremos atrás da verdade, temos direito de saber porque uma morte tão bruta arrancou ele de nós”, argumentam os familiares em coro.

Acompanhe abaixo os diálogos de Ricardo Orsini (feitas através do celular de Zé do Bigode) antes de bloquear o seu Whatsapp para os interlocures que buscavam saber o que havia acontecido com Zé do Bigode. As conversas tiveram início as 09:49hs da sexta-feira (21), dia do atropelamento.

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