Silvino Castro pede para que população pare de criticar e propõe o “Dia da Oração pelos Políticos”

“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”, Provérbios 31:8-9

O vereador Pastor Silvino Castro (PRB), apresentou nesta segunda-feira (5) uma Proposta Legislativa que pretende instituir no calendário municipal de Ribeirão Pires “O dia de Oração pelas autoridades da Nação” a ser celebrado a cada terça-feira de cada mês.

Na justificativa, Pastor Silvino argumenta que “é comum ouvirmos críticas e condenações verbais a respeito de nossos de nossos governantes e políticos em geral. Requeiro aos nobres pares que nos apóie na aprovação dessa propositura, para que se torne hábito que o povo passe a orar e não criticar as autoridades constituídas no Município de Ribeirão Pires e por toda a nação brasileira”.

Na prática, o que se deseja é não ouvir mais reclamações na Estância sobre salário atrasado, falta de remédio, mato alto e tomando conta de vias, bairros periféricos abandonados, pagamentos de altos salários a comissionados em detrimentos a servidores comissionados, reclamação de obras paradas. Enfim, orem e digam amém a tudo (do latim, assim seja).

O verbo “orar” tem suas raízes no termo latino “oro”, que significa “dizer”, “falar”, de onde também se deriva o termo “oral”, ou seja, “dito”, “falado”.

Por mais que a referida proposta aparente tom irrelevante e ingênua, trata-se em verdade de ação orquestrada uma vez que a idéia está sendo amplamente difundida por determinados grupos de políticos em seus respectivos municípios e estados a tal medida que visa tão somente um aboio com objetivo de dominação popular e acobertamento de malfeitos por porte da classe política.

Ultimamente em função do aumento de sua rejeição popular, o presidente Jair Bolsonaro tem se queixado de críticas que vem recebendo de parte significativa da população. No domingo (1/9) o presidente de joelhos, recebeu oração do Bispo Edir Macedo da Igreja Universal do Reino de Deus que se utiliza do fato para que seus braços políticos nos diversos parlamentos se utilizem de sua força para impor silêncio com justificativas duvidosas e com meros objetivos de atingir o rebanho pastoral e desgarrados incautos. Em 02 de setembro, integrantes do governo Jair Bolsonaro declarou guerra aberta a Igreja Católica sob o comando do Papa Francisco (ver aqui).

Vale ressaltar que a Constituição Federal em seu artigo 5º garante o livre direito de expressão e manifestação.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

 XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;”

A propositura é polêmica e trafega na contramão uma vez que fere o princípio da laicidade do país.

Dado que deve ser observado, é a alta falta de credibilidade da classe política junto aos cidadãos. Atento a isso e orientado pela alta cúpula de sua agremiação religiosa, Silvino dá a sua parcela de contribuição rumo ao projeto de poder Teocrático. Não reclamem, orem por nós!

O latim (língua) tem importante influência no mundo. Dela (o latim) derivou-se por exemplo a nossa língua portuguesa, o espanhol, o Frances e tantas outra mundo a fora. Mundialmente é sabido que o direito é composto por diversas expressões da língua latim. Sabe-se que o verbo português “pecar” é derivado do latim peccare que, em seu uso primitivo, significava: “fazer passo em falso, perder o pé, e, portanto, cair, falando-se dos cavalos e outras montarias; depois, figuradamente, fazer mau passo moral, errar, cometer falhas”. Tal palavra tem ligação com a palavra latina pecus, que significa: “pé defeituoso, pé incapaz de percorrer o caminho”. Em outras palavras, “pecar” é “coxear, manquejar, capengar”. Aliás, a partir desses dados, poderíamos muito bem concluir que “pecar” é “dar mancadas com Deus”. Dito de outra maneira, quando pecamos estamos dando um “passo em falso” em nossa relação com Deus.

De forma autônoma não seria errôneo a afirmação que as críticas aos políticos por parte dos cidadãos levando em consideração a legislação do país seria cometimento de crime, capengar diante os compromissos assumidos em período eleitoral ou mesmo ter dar mancada com o povo que o elegeu através do voto. Querer se utilizar de convicção ideológica pessoal para manipular livre direito de expressão é atitude pecaminosa.

Segundo um artigo publicado por Clodovis Boff no Portal DHnet, o Teólogo divulga um importante estudo sobre a sociedade em que viveu Jesus Cristo.

No texto é relatado o regime Feudal na palestina, Judéia, Samaria, Galiléiade de mais 2.000 anos atrás. Economia, Propriedade da terra, profissões, comércio, sistem a de impostos, estrutura de classes sociais, política, partidos políticos que eram três, divididos entre Saduceus, Fariseus e Zelotes. Texto exegético que vale ser lido por conter boa base histórica daquela civilização.

Trecho que vale ser reproduzido para que o leitor possa refletir sobre a proposta apresentada na Câmara de Ribeirão Pires, vem denominado por Legalismo (ver aqui), como segue abaixo.

“Legalismo:

A ideologia preconizava o culto e a observância rígida da Lei. A Lei era uma espécie de força que impedia toda a criatividade, toda força, exuberância. Esse legalismo, mantido, sobretudo pelos escribas, pelos doutores da Lei, era extremamente funcional. Servia para acobertar as iniquidades do regime e manter o povo do¬minado. O legalismo não era um desvio puramente moral ou religioso. Tinha uma função também política.

Por que a Lei era tão rigidamente aplicada? Para poder manter o povo submetido, O conhecimento dos doutores da Lei se baseava em uma espécie de conhecimento se ereto, esotérico, ou seja, somente eles sabiam ler e interpretar a Lei. E isto era feito com um vocabulário complicado, difícil, de modo que deixavam o povo confuso e crente de que eles entendiam os mistérios de Deus. Assim o povo entre¬gava sua liberdade nas mãos dos fariseus, dos doutores da Lei. Só desse modo compreendemos as violentas investidas de Cristo contra os Escribas e os Fariseus.

No capítulo 23 de Mateus, lemos um dos textos mais violentos de toda a literatura antiga: “Ai de vós, Escribas e Fariseus hipócritas, que sequestrastes as chaves da casa da ciência”. E, falando do saber secreto deles “Vocês ano entraram nela e impedem aos outros que entrem”.

As investidas de Cristo são contra esta carapaça que Escribas e Fariseus mantinham em cima da consciência do povo”.

O projeto do vereador Pastor Silvino Castro foi aprovado em primeira votação durante sessão ordinária desta quinta-feira (5) e para que possa ir à sessão do executivo deverá ser confirmada votação em segunda votação.

A data da próxima sessão ordinária é emblemática, será no próximo dia 12. Resta saber se os apóstolos dirão amém ao senhor da Estância. Diante a injustiça o povo deve cerrar os punhos e protestar vestido de preto!

Recorrendo a Bíblia, colhemos 7 versículos para reflexão.

  1. Provérbios 28:15

”Como um leão que ruge ou um urso feroz é o ímpio que governa um povo necessitado. ”

  1. Provérbios 28:16

”O governante sem discernimento aumenta as opressões, mas os que odeiam o ganho desonesto prolongarão o seu governo.”

  1. Provérbios 29:2

“Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme”.

  1. Provérbios 31:8-9

“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”.

  1. Salmos 94:20-23

“Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo?, um trono que faz injustiças em nome da lei? Eles planejam contra a vida dos justos e condenam os inocentes à morte. Mas o Senhor é a minha torre segura; o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio. Deus fará cair sobre eles os seus crimes, e os destruirá por causa dos seus pecados; o Senhor, o nosso Deus, os destruirá! ”

  1. Deuteronômio 1:13

“Escolham homens sábios, criteriosos e experientes de cada uma de suas tribos, e eu os colocarei como chefes de vocês”.

  1. Provérbios 29:4

”O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.”

Deixe uma resposta