Bolsonaro pode virar pó caso fracasse seu ato marcado para domingo (26). Janaína diz que PT vai voltar

Por Luís Carlos Nunes, imagens da Web com montagem do Repórter ABC

Fazendo a leitura de jornais através de seus portais ao longo desta semana, além de uma rápida olhada nas redes sociais, deixa claro que o governo Jair Bolsonaro pode estar a caminho de seu fim. Pode virar pó.

Com sua base parlamentar de sustentação política desarticulada, após perder o apoio do mercado financeiro e das mídias sociais, o capitão de pijamas (reformado) decidiu partir para o ataque com as instituições e seus sectários.

No desespero, publica seguidas mensagens para incendiar os ânimos de seus seguidores contra o Congresso Nacional e o STF no ato marcado para este domingo, 26 de maio pelas milícias do Whatsapp.

O ex-presidente e atual Senador Fernando Collor de Melo em 1992, pouco antes de ser retirado do cargo através de um impeachment, ao convocar a população para ir às ruas de verde amarelo em defesa do seu governo viveu situação inversa ao esperado.

Convocados para o ato em defesa de seu governo, o povo compareceu às ruas, e ao invés das cores verde e amarela, trajavam a cor do luto. Vestiam preto em protesto ao seu governo.

Foi lido na grande imprensa que o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua – protagonistas das manifestações populares que apoiaram a impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 – não devem comparecer e nem apoiar as manifestações a favor do governo Bolsonaro convocadas para o próximo domingo (26).

No Twitter, temas ligados à manifestação a favor do governo Bolsonaro esteve entre os assuntos mais comentados nesta última sexta-feira (24).

Integrantes da rachada bancada do PSL se empenham em promover as manifestações pró-Bolsonaro. O deputado Nicoletti (PSL-RR) usou a rede para convidar “a todos a participarem do grande ato em apoio ao nosso presidente Jair Bolsonaro”.

Além disso, nos últimos dias, internautas brasileiros depararam-se com dezenas de mensagens compartilhadas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp convidando as pessoas a comparecer à manifestação.

Segundo disse a líder nacional e porta-voz do movimento Vem Pra Rua, Adelaide de Oliveira  ao Portal Congresso em Foco, “os atos tomaram um caráter bastante personalista a favor do presidente… Não defendemos partidos, nem políticos, nem governos… Então preferimos o distanciamento para não ser confundido com apoio político”.

Já o advogado Rubinho Nunes, coordenador nacional do MBL, firmou que a mobilização popular neste momento pode atrapalhar o andamento da reforma da Previdência e o governo pode sair enfraquecido.

“A gente está focado em apoiar e fazer o possível para aprovar a reforma da Previdência, porque sem ela o país não anda. A gente não é governista, não temos cargos, apoiamos pautas que são importantes, como a Previdência, que é pauta muito cara para a gente e o MBL defende desde 2017. Nós apoiamos o ministro Paulo Guedes”.

O governador de São Paulo, João Doria, disse que é contrário às manifestações pró-Bolsonaro marcadas para este domingo (26). Para ele, o foco dos apoiadores do presidente deve ser a reforma da Previdência e o bom entendimento entre os Poderes.

A declaração foi feita em entrevista à imprensa neste sábado (25) durante o encontro do Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste), fórum que reúne governadores do Sul e do Sudeste, e matéria coberta pelo Portal UOL.

“O povo já foi à rua, já manifestou as suas posições. Consideramos como algo inútil, inadequado, e estabelecendo o potencial de confronto que não é o momento”, disse Dória.

O governador paulista disse ainda que o Brasil precisa de paz e equilíbrio para que possa existir um bom entendimento entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Outra manifestação contrária, foi da deputada estadual por São Paulo, Janaína Paschoal que chamou Bolsonaristas de burros, disse que o PT vai voltar ao poder e é atacada. Acompanhem ao final do texto os debates acontecidos no Twitter.

Uma das lideranças à frente da convocação é o Movimento Avança Brasil. Em sua página na internet, nesta sexta-feira (24), a informação era de que em diversas cidades do Brasil devem ocorrer manifestações. De acordo com a postagem, o previsão tem como base um levantamento foi feito em parceira com o ZapBolsonaro, articulação virtual que afirma reunir mais de 300 mil acessos e mais de 100 grupos de Whatsapp em apoio ao presidente.

Quem também está convocando ativamente as manifestações pelas redes sociais é o empresário Luciano Hang, da Havan.

É imprevisível o que poderá acontecer domingo, mas uma coisa é certa: Bolsonaro já perdeu as condições mínimas para continuar à frente do governo.

O experiente jornalista e escritor Ricardo Kotscho apresentou provocativo artigo no Correio Brasiliense ao qual extraímos trechos. 

“O que Bolsonaro está buscando é a anarquia de que falava o general Mourão na campanha, ao justificar a possibilidade de um autogolpe. Se os “protestos a favor”, algo como um carnaval fora de época, forem um fracasso, será a pá de cal no governo. Afinal, quem costuma protestar é a oposição. Governo serve para governar”, disse o escritor com vasta experiência em cobertura política.

Um fato inconteste é que se as manifestações pró-Bolsonaro e contra o Judiciário e o Legislativo forem um grande sucesso, mobilizarão ainda mais os que são contra o governo, com novos protestos já marcados e uma greve geral anunciada para 14 de junho.

O cenário ficará ainda mais radicalizado nas ruas e no parlamento, com o país dividido ao meio e a economia afundando cada vez mais.

Bolsonaro não deve se esquecer que seus seguidores mais fieis nunca passaram de 20% nas pesquisas quando Lula ainda era candidato e tinha o dobro de intenções de votos, antes da facada de Juiz de Fora.

Num eleitorado total de 140 milhões aptos a votar, ele teve pouco mais de um terço dos votos (57 milhões).

Nem todos os que votaram nele, no entanto, concordam com suas políticas para liberar as armas, destruir o meio ambiente e os direitos sociais, rifar a soberania nacional e fazer do Brasil uma servil colônia americana.

Ao criminalizar toda a classe política e os partidos, ficou isolado no Palácio do Planalto com seus três filhos, porque até a tropa de generais de pijama à sua volta está agora observando um obsequioso silêncio.

A propósito, a ex-presidente Dilma Roussef caiu devido a falta de diálogo com os 594 que compunham o Congresso Nacional durante o seu mandato.

Sem ter até agora apresentado um programa de governo ou qualquer política pública para pelo menos minorar o drama do desemprego, que não para de crescer, o que ainda se pode esperar de Bolsonaro?

O debate agora é como será a desfecho, salvaguardando as instituições e a democracia.

Perto dele, o vice, general Hamilton Mourão já é apresentado como uma opção mais razoável.

E tem gente crendo que melhor seria os dois pedirem logo o boné ou serem convidados a sair para que o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia assumisse e convocasse novas eleições e colocasse em prática o regime parlamentarista.

O momento é dos mais delicados e requer muita atenção da sociedade, pois não dá para continuar tudo como está. O Brasil não aguenta mais.

Um novo impeachment seria angustiante, porém; muito pior é corrermos o risco de um novo golpe militar.

Convocar manifestação popular em apoio ao governo Bolsonaro, a essa altura, é mais do que um tiro no pé. Pode ser um tiro na testa.

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